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12 de fev. de 2010

MANUEL BANDEIRA - Vou-me embora pra Pasárgada






PEDRO LUSO DE CARVALHO


Segue o poema de Manuel Bandeira, Vou-me embora pra asárPgada,  (In Manuel Bandeira. Seleta de prosa e verso; organização, estudos e notas de Manuel de Moraes. 2ª ed. Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 1975:



VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA
-- MANUEL BANDEIRA




Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tenho de tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
Lá sou amigo do rei –
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.




   *  *  *



Um comentário:

  1. Eu amo este poema, como eu queria uma Pasárgada, para nela me esconder. Bela escolha!!
    Abraços!

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Pedro Luso de Carvalho