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17 de jul de 2010

FEDERICO GARCÍA LORCA - Romanceiro Gitano




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        Escolhi para esta postagem o poema Romance da lua, lua, de Federico García Lorca, que abre o seu Romanceiro Gitanos e Outros Poemas (2ª ed. Companhia José Aguilar Editora, Rio de Janeiro, 1975). Sobre o Romanceiro Gitano escreveu Arturo Berenguer Carísomo, in As Faces de García Lorca, São Paulo, Ícone Editora, 1987: "Quando um poeta traz dentro de si autentica substancia, logo alcança seu verdadeiro caminho".
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        Diz mais: "Todo o castiço, telúrico, ibérico que Lorca deixava entrever durante sua passagem liberal pelo movimento altruísta, se fez presente a publicação do Romanceiro Gitano. O volume, ao todo dezoito poemas, reúne trabalhos escritos entre 1924 e 1928; tinha-se rompido, até lá, a unidade ultraísta, o grupo tinha-se dispersado; só poderiam sobreviver os que tivessem na sua intimidade criadora um pouco mais que um simples desejo de renome imediato, algo verdadeiro para ser dito.
 
        O genial Romanceiro Gitano - prossegue Carísomo - radica na autenticidade com que trata a dor universal e na medida em que essa obra dor se transforma, dentro dos moldes populares mais puros. Não é nem fútil nem acidental a escolha do romance para a obra lírica mais singular do nosso poeta; com isso, outra coisa não fazia senão reencontrar os seus antepassados e continuar a trilha funda que mantém vivo o órgão literário espanhol; daí que coincidam nela o profundo do mito com a maravilhosa adequação da forma". Segue, pois, o poema:
 
 


ROMANCE DA LUA, LUA 
                               Federico García Lorca   


A lua chegou à forja
com sua anquinha de nardos.
O menino a mira, mira.
O menino está mirando-a.

Lá no espaço comovido
a lua move seus braços
e exibe, lúbrica e pura,
seus seios de duro estanho.

Foge lua, lua, lua.
Se chegassem os gitanos,
com teu coração fariam
anéis brancos e colares.

Menino, deixa que dance.
Quando os gitanos chegarem,
te acharão sobre a bigorna
com os olhinhos fechados.

Foge lu, lua, lua,
que já ouço seus cavalos.
Jovem, deixa-me, não pises
minha brancura engomada.
 
 
O ginete se acercava
tocando o tambor do chão.
Dentro da forja o menino
conserva os olhos fechados.
 
 
Vinham pelo oliveiral
os gitanos, bronze e sonho.
As cabeças levantadas
e os olhos semicerrados.
 
 
Como canta ali o bufo,
ai, como canta na árvore.
Pelo céu a lua segue
com um menino na mão.
 
 
Lá dentro da forja choram,
dando gritos, os gitanos.
O ar vela-a, vela, vela.
O ar a está velando.


        Federico García Lorca nasceu em Fuente Vaqueros, em 5 de junho de 1898, e morreu assassinado pela ditadura de Franco (Guerra Civil Espanhola), em 19 de agosto de 1936.
 
 
    
    

4 comentários:

  1. Belíssima postagem...

    Tem um selo de reconhecimento para o Veredas no blogue ENGENHOLITERARTE. Receba o nosso carinho por seu belo trabalho!

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  2. em 1983 a cantora Amelinha gravou uma versão deste poema, ficou lindo.

    seu blog é ótimo,
    parabéns!

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  3. Belas palavras, e a versão gravada em música foi feita pelo Flaviola e o Bando do Sol, nos idos de 70, antes da amelinha

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  4. Belas palavras, mas a versão musicada é do Flaviola e foi gravada por ele e o Bando do SOl nos idos de 70, antes de amelinha

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PEDRO LUSO