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24 de mai. de 2020

FERNANDO PESSOA – Qualquer Caminho Leva a Toda Parte


   
PEDRO LUSO DE CARVALHO

CARLOS FELIPE MOISÉS se dedica regularmente à crítica literária desde os anos 70, escrevendo para órgão especializados da imprensa brasileira. É autor, entre outros livros: A poliflauta (1960), Carta de marear (Prêmio Governador do Estado de São Paulo, 1966), Círculo imperfeito (Prêmio Gregório de Mattos e Guerra, Salvador, 1978), Subsolo (Prêmio APCA, 1989), Lição de casa (1998), Fernando Pessoa: almoxarifado de mitos (2005), uma obra que deverá agradar aos admiradores do poeta português. O livro começa com traços biográficos de Pessoa, como segue:
“Pouco antes de morrer, no Hospital São Luís, em Lisboa, a 30 de novembro de 1935, vítima de cirrose provocada por ingestão de bebida alcoólica, Fernando Pessoa anotou num retalho de papel esta última frase: “I know not what tomorrow will bring”. O sentido e a circunstância da frase remetem a uma de suas obsessões: o mistério da existência, o horror da morte e do desconhecido, o pendor especulativo, em suma, que o levou a se interessar por mediunidade, espiritismo, astrologia, maçonaria, teosofia – o esoterismo em geral. Em inglês literário, a frase mostra a força com que se lhe fixou no espírito a educação britânica que recebera em Durban, na África do Sul, onde viveu dos sete aos 17 anos.
Nascido em Lisboa, a 13 de junho de 1888, filho único (o irmão mais novo, Jorge, morreu em 1894, com um ano de idade), órfão de pai antes de completar os seis anos, Pessoa parte em 1896 para a África, com a mãe, que se casara de novo, com João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Durban. Os dez anos aí passados foram decisivos para a sua formação. É na África, e em inglês, que ele adquire a base de sua cultura literária (Milton, Shelley, Shakespeare, Tennyson, Pope e outros), escreve os seus primeiros poemas e concebe os proto-heterônimos Alexander Search e Robert Anon, sucessores adolescentes de Chevalier de Pas, personagem inventada aos quatro anos, com quem ele então se entretinha horas a fio. Em Durban, realizou os estudos primários numa escola de freiras irlandesas; secundários, na Durban High School e, em 1904, foi aprovado nos exames de ingresso no Curso de Artes, na Cape Univerty. Mas no ano seguinte decidiu regressar a Lisboa, sozinho.
De volta a Portugal, redescobre sua cultura e literatura: Cesário Verde, Antonio Nobre, Antero de Quental, Camilo Pessanha, que vêm somar-se a uns, como ele diz, “subpoetas”, lidos na infância. (É curioso o escasso interesse que Pessoa declara ter tido por Camões – a influência mais forte que sofreu, dentre todas. Harold Bloom, autor de "The anxiety of influence", teria aí matéria farta para demonstrar a sua tese, segundo a qual todo poeta anseia por matar o “pai”, escamoteando as influências que tenha recebido.) Em 1906, matricula-se no Colégio Superior de Letras, em Lisboa, que abandona em seguida, e começa a alimentar arrojados planos, literários e outros, nunca realizados na íntegra. Após o fracasso comercial de sua “Empresa Íbis – Tipografia e Editora", experiência em que mais tarde reincidirá, emprega-se como correspondente de firmas estrangeiras sediadas em Lisboa, modéstia atividade que lhe garantirá o sustento até o fim de sua vida.
Em 1912, estreia como crítico literário na revista A Águia, órgão do movimento nacionalista “Renascença Portuguesa”, chefiado por Teixeira Pascoaes, com o ensaio “A nova poesia portuguesa sociologicamente considerada”, onde profetisa o aparecimento, para breve, do “Supra Camões”, isto é, um poeta que irá suplantar o grande épico – e este é um dos raros momentos em que deixa entrever o alto apreço que tinha pelo poeta clássico, bem como o desejo de superá-lo. Daí em diante, a literatura lhe absorverá todo o tempo e interesse, tornando-se alvo de dedicação exclusiva”, como ensina Carlos Felipe Moisés em sua obra “Fernando Pessoa: almoxarifado de mitos”.
Segue o poema Qualquer caminho leva a toda parte, de Fernando pessoa (in Fernando Pessoa. Poesia, 1918 – 1930: edição de Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas e Madalena Dine. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 87-88):


    QUALQUER CAMINHO LEVA A TODA PARTE
Fernando Pessoa


Qualquer caminho leva a toda parte.
Qualquer ponto é o centro do infinito.
E por isso, qualquer que seja a arte
De ir ou ficar, do nosso corpo ou ‘spr’rito,
Tudo é ‘stático e morto. Só a ilusão
Tem passado e futuro, e nela erramos.
Não há ‘strada senão na sensação
É só através de nós que caminhamos.

Tenhamos p’ra nós mesmos a verdade
De aceitar a ilusão como real
Sem dar crédito à sua realidade.
E, eternos viajantes, sem ideal
Salvo nunca parar, dentro de nós,
Consigamos a viagem sempre nada
Outros eternamente, e sempre sós;
Nossa própria viagem é viajante e ‘strada.

Que importa que a verdade da nossa alma
Seja ainda mentira, e nada seja
A sensação, e essa certeza calma
De nada haver, em nós ou fora, seja
Inutilmente a nossa consciência?
Faça-se a absurda viagem sem razão,
Porque a única verdade é a consciência
E a consciência é ainda uma ilusão.

E se há nisto um segredo e uma verdade
Os deuses ou destinos que a demonstrem
Do outro lado da realidade,
Ou nunca a mostrem, se nada há que mostrem
O caminho é de âmbito maior
Que a aparência visível do que está fora,
Excede de todos nós o exterior
Não pára como as cousas, nem tem hora.

Ciência? Consciência? Pó que a ‘strada deixa
E é a própria ‘strada, sem ‘strada ser.
É absurda a oração, é absurda a queixa.
Resignar(- se) é tão falso como ter.
Coexistir? Com quem, se estamos sós?
Quem sabe? Sabe o que é ou quem são?
Quantos cabemos dentro de nós?
Ir é ser. Não parar é ter razão.


11-10-1919


REFERÊNCIA:
MOISÉS, Carlos Felipe. Fernando Pessoa: almoxarifado de mitos. São Paulo: Escrituras, 2005.


    *   *   *


34 comentários:

  1. Una scrittura molto valida, e interessante, sulla quale soffermarsi con preziose osservazioni interiori.
    Sempre bello leggerti, Pedro,serena domenica e un saluto,silvia

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  2. Maravilhoso ler Fernando Pessoa. Um poeta de eleição.
    .
    Um domingo feliz

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  3. Escolheste muito bem a poesia,Pedro! Gostei, mais uma vez de passar aqui! abração,chica

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  4. Feliz Domingo amigo Pedro, para si, e todos os seus familiares!
    Sua poesia me encanta, é linda e muito verdadeira.
    Amei, muito obrigada pela partilha!
    Um beijo Fraterno...! Cuidem-se meus amigos... Infelizmente também não temos certezas de nada, sobre esta pandemia que está a assolar o mundo inteiro.
    Mai suma prova concreta que andamos por cá mas nada sabemos!

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  5. Caro amigo Pedro,
    É sempre bom revisitar Pessoa e companhia, sobretudo pelas suas mãos e pelas mãos de Carlos Felipe Moisés, professor universitário e crítico.
    Permita-me lembrar que Carlos Felipe Moisés é também um excelente poeta. Escreve com leveza. Recomendaria dois livros dele: Noite Nula e Lição de casa e poemas interiores.
    Cuidem-se (toda a família)
    Um abraço, caro amigo!

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    1. Uma sugestão do amigo e Professor de Literatura, José Carlos Sant’Anna, sobre livros de Carlos Felipe Moisés, também professor, escritor e poeta, sugestão que não pode ser esquecida.
      Obrigado, José Carlos.
      Um abraço.

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  6. Una maravillosa información de un poeta muy importante.
    Una pena su muerte tan prematura.
    Un beso.

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  7. Es un autor muy reconocido en Portugal, también en España y en la mayoría del mundo.

    Besos

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  8. Oi Pedro, obrigada por sua interessante postagem... alguns aspectos da biografia de Fernando Pessoa que nos explica muito de seus poemas, da influência de seus estudos e experiências filosóficas e místicas no desenvolvimento de seu caminho interior. Bem expressos no poema escolhido a viagem de seu "EU"
    Um abraço

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  9. Que bela generosidade amigo Pedro. Ler sobre Pessoas numa postagem rica de detalhes com parte de sua vida, ficou interessante e ainda ilustrada pelo poema. Ler Pessoa é sempre uma viagem, um mergulho na existência. Destalhes da vida de Pessoa que não conhecia, saio daqui ainda mais apaixonado pela sua escrita.
    Grato Pedro.
    Um feliz semana neste isolamento com todos os cuidados.
    Meu terno abraço amigo.

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  10. Ler poemas de Pessoa é um prazer para os olhos. Um grande senhor
    bjs

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  11. "É só através de nós que caminhamos"... É sempre fantástico reler Fernando Pessoa. Deve ser excelente a crítica literária de Carlos Felipe Moisés sobre o nosso poeta. Já tomei nota…
    Uma boa semana com muita saúde meu Amigo Pedro.
    Um beijo.

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  12. Que grande publicação! Simplesmente fantástico!:))
    -
    Vagueio na abstinência ...

    Beijos e uma excelente semana :)

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  13. Olá pedro! Que poema maravilhoso, uma viagem sem fim (ou terá final?) de questionamentos!
    Abraço e boa semana!

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  14. Bom dia Pedro,
    Que maravilhosa partilha, reler Pessoa é sempre necessário, poeta consagrado que nos inspira com as fabulosas poesias.
    Desejo um ótimo dia com toda paz. Cuide-se!

    https://aparaibaesuasbelezas.com.br

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  15. Fernando Pessoa é um mundo de ideias, convicções e dúvidas. E não só... A obra que nos deixou, imensa, leva uma vida inteira a ser interpretada e entendida.
    Camões e Fernando Pessoa são incomparáveis. Mas cada um deles foi enorme dentro do seu estilo.
    Gostei do seu post, relembrar Pessoa é sempre uma virtude.
    Caro Pedro, tenha uma boa semana.
    Abraço.

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  16. Hoy nos trae usted un poeta del que conozco bien su vida, su obra y la interesante construcción de su yo cúbico con su centenar de heterónimos. Hace muchos años mi madre me lo dio a conocer y siempre lo he tenido como una punta de raíz que me une a mis ancestros portugueses. En los 90 estuve por primera vez en A Brasileira donde tiene su principal estatua y también por su barrio de Campo de Ourique. En España es muy conocido y apreciado.
    Hace un tiempo me regalaron "El libro del desasosiego". Y cuando lo abrí me pareció que el nombre del traductor era un heterónimo más del poeta inspirado por él. El traductor se llamaba realmente, Perfecto Cuadrado.
    Saludos.

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  17. Caminhar no pensamento de Fernando Pessoa é sentir a perplexidade do ser humano. De enorme riqueza literária, acicata o desejo de o desvendar.
    Boa partilha!

    Um beijo, caro amigo Pedro.

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  18. Querido Amigo, há muito que não vinha aqui, ou antes, venho praticamente todos os dias, mas o animo para " bater à porta " do teu escritório, entrar e ficar a trocar impressões sobre os assuntos que tratas, tem faltado; além disso, o confinamento também não nos permitiria esse " papo", mas, com as distâncias respeitadas e máscara dava-se um jeito, então não posso culpar a pandemis, mas, sim o desânimo mesmo. Chego aqui e fico deveras pasmada e muito agradecida, pois deparo-me com uma brilhante exposição do nosso Fernando Pessoa; é até vergonhosos, dado que sou de letras e tive que o estudar, mas desconhecia muito sobre ele , principalmente no aspecto religioso. Agora, mais madura e sem a "obrigação " de o estudar, o interesse tem sido outro e já o admiro muito mais. Acho que ja3 falei isso outras vezes, mas, quando cheguei ao Brasil, fiquei impressionada com o interesse que as pessoas mostravam pelo Fernando Pessoa e estou a falar de Guaratinguetá, uma cidadezinha do interior; às vezes ficava envergonhada, acredita! O poema escolhido leva-nos a reflectir na finitude da estrada, na consciência de que nada somos e que não adianta a oração e muito menos a queixa; fomos postos aqui sem que o pedissemos e partiremos quando a vida mandar. Viver, simplesmente, sem procurar entender o porquê desta estrada. Poderia ser outra? Não sei...penso que não mandamos nadinha, Pedro! Muito obrigada pelas fabulosas informações sobre este poeta de alma inquieta e espero que não estejas zangado comigo. Não gosto de prometer, mas...vou tentar ser mais assidua aqui nestas veredas tão interessantes. Fica bem, com SAÚDE. Beijinhos e um deles vai para a Taís, certo? Também deve estar zangadinha....
    Emilia


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    1. Pois é, querida amiga Emília, sentimos a tua ausência, quando demoras um pouco a visitar nossos blogs, jamais ficaríamos zangados, Taís e eu.
      Fernando Pessoa, Emília, é um extraordinário poeta. Sua extensa obra é para ser lida com regularidade. Pessoa tem muito a nos ensinar sobre poesia e filosofia. Certamente é um orgulho para ti, sua compatriota. Parabéns aos portugueses por terem Fernando Pessoa.
      Uma boa semana, com os cuidados com o coronavírus.
      Um beijo, Emília.

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    2. Caro Pedro Luso

      É de encher a Alma este post sobre Fernando Pessoa que trouxe pela mão de Carlos Felipe Moisés, cuja obra irei seguir.

      O poema com que ilustra esta abordagem de Pessoa é dos seus mais belos, mergulha-nos em perplexidades e também dá-nos respostas em relação à nossa multiplicidade, a qual ele descobriu e interpretou em si próprio.

      Dizer que somos a viagem e a estrada, centra em nós o mundo e a resolução ou não de todas as situações. O que sabemos é que nessa demanda a solidão é a nossa companheira e com ela teremos de nos haver. Com ela e os vários "Eus" que no nosso íntimo se declaram como parte integrante da nossa personalidade.

      E sim, "Qualquer caminho leva a toda a parte". Dentro de nós.

      Muito obrigada, meu amigo, por esta publicação tão completa.

      Abraço
      Olinda

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  19. Hum, pensava eu que já tinha lido praticamente tudo sobre o poeta do desassossego e eis que descubro que estava redondamente enganada, pois o meu «tudo» não é nada face à grandiosa obra do poeta.
    Bela publicação, Pedro!
    Beijo, querido amigo. Fiquem bem.

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  20. grato, meu amigo
    por esta eloquente passagem sobre o "universo poético" de Passoa
    e algumas marcantes passagem da sua biografia.

    o poema transcrito é exemplar, a diversos títulos

    forte abraço, meu amigo

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  21. Pedro, un placer descubrir un poquito más a tan brillante poeta a través de tu post.
    Es magnífico leer y releer sus versos para captar toda su esencia.
    También me encantó el poema tuyo en el Blog de nuestra amiga, Ana María Ferrín.
    Abrazos querido amigo.

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  22. Sim, um belo poema de Pessoa!

    Para mim uma honra ter a sua visita ao meu blogue. Se me permitir deixarei lá o seu «link».

    Bj

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    1. O link do meu blog está a tua disposição, Ana. Desde já, agradeço.

      Beijo.

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  23. Um excelente artigo sobre o genial Fernando Pessoa.
    Um abraço e tenha um bom Domingo.

    Andarilhar
    Dedais de Francisco e Idalisa
    Livros-Autografados

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  24. E vamos sempre aprendendo ao longo da estrada da vida.
    Uma escolha perfeita, é sempre um prazer imenso ler Fernando Pessoa.
    Bom domingo
    Beijinhos

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  25. Ei Pedro!
    mais uma maravilhosa
    publicação. Sempre
    aprendo e me encanto
    por aqui.
    Bjins de bom domingo
    CatiahoAlc.
    Vou adorar que conheça
    esses meus outros espaços
    https://sopalavreandoerefletindo.blogspot.com/
    https://comentariosporaicoisatal.blogspot.com/

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  26. Pedro

    gostei bastante desta postagem, sobre o Poeta Fernando Pessoa, que muito admiro.
    obrigada!
    bom fim de semana.
    beijinhos
    :)

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  27. Obrigado, amigo,

    por toda a informação que daí colhi.

    Muita não a conhecia.

    E, em louvor desse enorme poeta que foi Fernando Pessoa,

    aqui deixo as minhas saudações poéticas!

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  28. Sempre um prazer imenso, contactar um pouco mais, com o fascinante e denso mundo de Pessoa!...
    Costumo ter o Livro do Desassossego por perto... que adoro ir descobrindo e admirando ao calhas... onde praticamente tudo... mas tudo, é alvo de uma profunda e admirável reflexão... como um simples calendário de parede, por exemplo...
    Grata por esta extraordinária partilha, Pedro! Belíssima publicação!
    Beijinho! Votos de uma excelente semana, e um óptimo mês de Junho!
    Ana

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  29. Boa tarde, Pedro,já havia visitado a sua página, porém quis deixar para reler com calma e, após deixar meu comentário.Reli com muito gosto, pois Fernando Pessoa é um marco em várias áreas culturais,mas que na poesia teve seu registro maior.Para tanta cultura deveria ter uma vida mais longa, interessante saber algo a mais da biografia deste grande poeta.Sempre leio os poemas dele, mas confesso que o mais marcante para minha emoção é o poema "Autopsicografia", que registra a heteronímia.Fernando Pessoa é um marco na cultura. Muito obrigada, por compartilhar tão rica postagem. Grande abraço!

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  30. Caro Pedro, passei para ver as novidades.
    Aproveito para lhe desejar um bom fim de semana.
    Abraço.

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Pedro Luso de Carvalho