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11 de mai de 2010

MORTE NA PICADA – Antunes Ferreira



              Por Pedro Luso de Carvalho


        Conheço o Henrique Antunes Ferreira há pouco mais de um ano; essa apresentação não se deu em Lisboa, onde ele reside, e nem no Brasil, onde resido; deu-se graças à existência dos blogues, justamente quando ele fez um comentário em um dos textos que publiquei no meu espaço, denominado Panorama; depois, desejoso de conhecer quem escrevia com tanta destreza, o que denotava tratar-se de um profissional de excelência (senti que se tratava de alguém que lidava com as letras, apenas não sabia qual a sua área); logo lá estava eu no espaço denominado A Minha travessa do Ferreira; e, ao ler o seu perfil, que consta no blog, logo ficou comprovado o meu prognóstico: Henrique Antunes Ferreira é um homem que trabalha com textos, um jornalista de nomeada, como se verá na transcrição que farei da apresentação de seu livro Morte na Picada, livro que mais tarde ele enviaria para mim, de Lisboa.

        Vejamos, pois, a apresentação do Antunes Ferreira, autor de Morte na Picada: “Um homem de sete ofícios: Antunes Ferreira, Henrique. Jornalista, sempre, ainda que reformado, por mor de 66 anos, pois nasceu em Lisboa. Tal aconteceu no século passado, mais precisamente em 29 de setembro de 1941. Casado há 45 anos e, o que é mais espantoso, sempre com a mesma mulher. Paciente, portanto. Três filhos, três noras, quatro netos e uma neta. Feliz com essa gente toda (...). Oriundo do Direito, o que sempre fez foi comunicação, mais preicsamente jornalismo. Em periódicos, diários semanários, mas também na rádio e na televisão. Hoje, dá-se ao luxo de ter um blogue. Há gente para tudo. Por isso se meteu, agora, a escrever ficção.

        

        Sobre o livro Morte na Picada, editado pela Occidentalis, que é composto de 32 contos, 238 pág., todos relacionados com a guerra, que ocorreu há mais de 30 anos em Angola, na África; transcrevo, pois, um trecho do prefácio escrito por Joaquim Vieira, em 2008, para essa obra:

        “Morte na Picada faz um curiosa combinação de ficção e testemunho, deixando ao leitor, se o entender necessário, a tarefa de destrinçar uma coisa da outra. Os enredos de Antunes Ferreira são dominados por uma urgência vital feita de sexo ou de sangue (muitas vezes de ambos), tratando-se quase sempre da obsessiva ausência de um e da opressiva presença de outro, com personagens apanhadas, de ambos os lados do conflito, por uma trama que não são responsáveis mas a que não conseguem fugir. Muito se tem discutido sobre a verdadeira designação deste conflito: guerra colonial, guerra de África ou guerra do ultramar. O autor propõe-nos um outro conceito: guerra civil. Os que se batem são irmãos desavindos, com mais a uni-los do que a separá-los, pesem embora as diferentes tonalidades da pele. Não se trata do grandiloquente Portugal uno e indivisível de Salazar, mas de um traço de comum entendimento forjado de afectos quotidianos que as circunstâncias da História acabariam por romper. Não poderia ser talvez de outra maneira. Mas todos nós olhamos com nostalgia para o conto final, dos dois inimigos que no meio do mato se descobrem cúmplices em torno de uma boa refeição, antes de serem abatidos pelos tiros de quem rejeitava qualquer hipótese de reconciliação”.

         Pode-se saber mais sobre o autor de Morte na Picada, no perfil de seu blog A Minha travessa do Ferreira:
http://aminhatravessadoferreira.blogspot.com/.


                                                                *  *  *


20 comentários:

  1. Pedro Luso, sigo o Antunes Ferreira (o blog). É uma persoanlidade instigante. Agora v. interessou-me pelos contos de Morte na Picada, que vêm de uma passagem dolorosa, que a ficção só pode testemunhar e, de certa forma, amainar.
    Abraços.

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  2. Sou uma fâ do Henrique, não só porque escreve muitíssimo bem, mas também porque de acordo com as pessoas que o conhecem das quais sou amiga de algumas, é um Homem de uma só cara, um Homem de bem.

    Li a «Morte na Picada» de jacto. E repeti. Disse-lhe de quanto gostei. Agora quero conhecê-lo pessoalmente.

    Encontrei o seu blog, Senhor Doutor, através da Travessa do Ferreira. É estupendo, como os outros que tem.

    É para mim uma felicidade ter vindo aqui e ter encontrado esta notícia. Bem haja.

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  3. Pedro, conhecendo o Henrique como conhecemos, e que desde então sempre se mostrou um amigo querido, educado e sempre presente, acredito que 'Morte na Picada' será uma leitura agradável e instigante, pois se trata de uma combinação de realidade e ficção, traçada pela sua experiência como militar em Angola e também por já conhecer seus textos no seu blog 'A Minha Travessa do Ferreira'. Acredito, pois, numa ótima leitura.

    Acho lindo este entrosamento fraterno entre brasileiros e portugueses. Henrique enviou para nós, não só seu livro 'Morte na Picada' como outros mimos, lá de Lisboa, Portugal.

    Beijinhos,
    Tais Luso

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  4. Já fui navegar no blogue do homem. Você tem razão, percebe-se pela maneira elegante e muito pessoal com que escreve, que se trata de um escritor de personalidade. Ah, quantos bons que há por aí e que quase ninguém conhece! Que bom, pedro, que temos você.

    Abç
    Cesar

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  5. Gosto muito da mistura de realidade e ficção.
    Bela postagem em forma de homenagem.
    Bjkas, muitas!

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  6. Apesar de...ainda... não ter lido a obra literária "Morte na Picada"...sei que se trata de um trabalho iluminado...pois o seu autor...possui no semblante..."o brilho...das grandes almas"...

    Adorei a justa homenagem!
    Abraços,
    Nirma Regina

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  7. Gostei muito de ler o trecho do prefácio. Adoro contos, e a referência ao último conto do livro deixou-me mais curiosa ainda. Vou copiar o linque e, logo que possa, visitar o blogue e segui-lo para acompanhar as atualizações.

    Obrigada pela por essa indicação.

    Bjs, Pedro, e inté!

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  8. O livro parece bem interessante. Não conheço o Antunes, mas sua obra chama a atenção. Fiquei curiosa para conhecer. especialmente por trazer algo da guerra colonial.
    pedro, obrigada pela indicação...

    Abraços

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  9. Paulão

    Este é um obrigado... calino. Um Senhor como tu, meu bom Amigo, não precisa de agradecimentos, muito menos de bajulações.

    Mesmo assim, arrisco-me: 'tóbrigadinho, Amigão. E não apenas me dirijo a ti: a tua Tais fica enrolada no mesmo atestado sem tabelião, mas com muita Alegria e satisfação.

    Assim éké: a quem o merece. E o casal que também é Luso, como eu sou e muitos mais, merece. Ponto final.

    Abs & qjs

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  10. Zé Carlos

    Obrigado II. Mas, não passo sem um pedido: vai até lá à Travessa e deixa cumentários, com o.

    Abs

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  11. Julianita

    Obrigado III. Uma vez mais me estragas com miminhos. Minina: há quanto tempo não vais à Travessa. O meu ego anda baralhado...

    Qjs

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  12. Tais do meu c'ração

    Obrigado IV. Estou escondido, de tão envergonhado com o que dizes de eu (??? talvez seja de mim, mas não tenho a certeza).

    Tugas e brasucas são inseparáveis, porque frutos da mesma raiz, como diz . E daqui ninguém me tira.

    Já há anos que não vou ao Brasil. Mas, um destes dias, meto-me ao caminho. Mas, desta vez e contrariando o Caminha, vou de avião. Vamos, que a Raquel não me deixa ir sozinho...

    Talvez no lançamento da edição brasileira do «Morte na Picada». Quem sabe'

    Qjs & abs

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  13. Avé César

    Obrigado V. Isto já se torna cansativo e... chato apar os que aqui vêm.

    Abs

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  14. Soninha

    Obrigado VI. Olha, minha flor: vai até à Travessa e deixa lá cumentários, com o, tá?

    Qjs

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  15. Nirmamiga

    Obrigado VII. Regina és tu e eu um fiel vassalo. Essa do semblante e, mais ainda, do brilho, deixaram-me abananado. Enquanto me recomponho, vai à Travessa e deixa cumentários, com o e coisas assim

    Qjs

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  16. Ju-amad..., digo, amiga

    Obrigado IX. Já nem sei a quantas ando... Uma observação: promessas, promessas e ainda não te vi lá pelo meu covil. É uma ORDEM: vai!!!! E cumenta, com o...

    Qjs

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  17. Palotamiga

    Obrigado X. Não há como ver - para crer. Cf. declaração de um tal S.
    Tomé. Vai até là à Travessa. E bota cumentários, com o. Se quiseres saber alguma coisa da guerra colonial, dar-te-ei uns sites sobre o tema.

    Qjs

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  18. Não conheço esse autor mas só pelo fato de ter merecido este ótimo texto feito por você já transmite valores, portanto, vou lincar seu blog para conhece-lo melhor.
    Gosto de ler e seu conto " Morte na Picada" ( suspense?) promete ser uma ótima leitura.
    bjs

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  19. pedro luso,
    parabéns por veredas.
    sou amiga e seguidora do henrique,
    tenho por ele um grande carinho.
    tem um curriculo impecavel!
    um exelente escritor.
    linda e merecida homenagem...
    um abraço.

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  20. Doroni & Loiraça amigas

    Muito grato; não mereço tanto, mas repito: muito obrigado

    Qjs

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PEDRO LUSO