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5 de ago de 2011

[Poesia] FLORBELA ESPANCA / Languidez

Florbela Espanca
                   

                 

                  
               por  Pedro Luso de Carvalho

       
       Florbela Espanca nasceu na Vila Viçosa, em Portugal, a 8 de Dezembro de 1894. Na morte da poetisa Florbela Lôbo de Alma Espanca - esse era o seu nome de registro civil -, em 1930, um fato que não pode ser tido como coincidência, no tocante ao dia e ao mês de seu nascimento, 8 de dezembro, por ter sido suicídio a causa mortis da poetisa. Florbela Espanca morreu em Matozinhos, ainda muito jovem, no dia em que completou 36 anos.

        Florbela cursou o Liceu de Évora e depois a Faculdade de Direito de Lisboa. Sua vida possou-se praticamente toda na capital do Alentejo. Na época em tomei contato com a obra de Florbela Espanca, no Curso Clássico, há algumas décadas, ainda existia a casa da família, muito bem conservada, sem que nada tivesse sido mudado no ambiente em que vivera a poetisa.

        Sobre a poesia de Florbela Espanca, Álvaro Lins diz que não é pictória, nem de cor local. “É a expressão, ao contrário, de um exaltado, às vezes delirante egotismo. Vibração, sensualidade, eloquência – eis alguns dos traços característicos da autora de Charneca em flor”.

        Obras de Florbela Espanca: Livro de Mágoas, 1919; Livro de Sóror Saudade, 1923; Charneca em flor, 1931; Juvenília, 1931; As Máscaras do Destino, 1931; Cartas, 1931; Sonetos Completos, 1934.

        Segue o poema Languidez, extraído de Livro de Mágoasem Sonetos Completos, 7ª ed. Livraria Gomçalves, Coimbra, 1946, pág. 43:


                          [ESPAÇO DA POESIA]
                                LANGUIDEZ
                                                 (Florbela Espanca)

       

        Tardes da minha terra, doce encanto,
        Tardes duma pureza d'açucenas,
        Tardes de sonho, as tardes de novenas,
        Tardes de Portugal, as tardes d'Anto.


        Como vos quero e amo! Tanto! Tanto!...
        Horas benditas, leves como penas,
        Horas de fumo e cinza, horas serenas,
        Minhas horas de dor em que eu sou santo!


        Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
        Que pousam sobre duas violetas,
        Asas leves cansadas de voar...


        E a minha boca tem uns beijos mudos...
        E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
        Traçam gestos de sonho pelo ar...



                                         


REFERÊNCIA:
LINS, Álvaro. BUARQUE DE HOLLANDA, Aurélio. Roteiro Literário de Portugual e do Brasil. Vol. I. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966, p. 361.


                                                   *  *  *  *  *  *


9 comentários:

  1. Realmente a poesida de Florbela é sublime. Parabéns pelo belo texto e pelo blogue. Abraços, JAIR.

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  2. Adoro Florbela Espanca, forte de se ler, fascinante. Foi o presente que mais gostei no Natal anterior -Florbela Espanca - Sonetos


    Obrigada pela partilha.

    Tenha um excelente fim de semana.
    oa.s

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  3. Pedro, estive afastada da blogosfera, mas esou de volta. E chego encontrando um pedacinho da Florbela.
    Tenho algumas poesias dela na voz de Miguel Falabela, volta e meia estou ouvindo...Versos tão intensos e sutis. Às vezes, nos põe entre a força e a fraqueza. Lindos

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  4. Por quê, há tanta tanta tristeza e,
    a um só tempo, tanta beleza, na poesia de um/uma suicida?
    Florbela Espanca, é para sempre!

    Parabéns, por divulgá-la, Pedro
    Abraço
    Lúcia

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  5. Florbela é uma das minhas autoras preferidas. Já me inspirei nela para escrever um poema que ficou legal, Chama-se FANTASMAS, e fugiu completamente do meu estilo. Ela foi uma poetisa sensacional, pena que tenha se ido tão cedo. bjs

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  6. Como gosto de dizer: "Bela me espanca com tuas flores!"
    Um abraço!

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  7. Corre poesia nas veias do povo português...o resultado - são poemas, prosas, trabalhos encantadores em todas as artes. Pena que a "Flor" morreu tão jovem... imagine, só, Luso, o quanto ainda ela poderia nos ofertar...

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  8. Incomparável Florbela!
    Sua forma de se expressar, algumas vezes cercada por interrogações, é linda.
    Abraços

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  9. Ela é maravilhosa, fiz um trabalho sobre sua poética; parabéns pelo blog, espero que goste de meu trabalho: http://mentedosinvalidos.blogspot.com/2011/08/curioso-caso-de-timidez.html

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PEDRO LUSO