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4 de abr. de 2022

[Crônica] FAÇA O QUE EU DIGO – Pedro Luso de Carvalho

 




        FAÇA O QUE EU DIGO

            - Pedro Luso de Carvalho      



Todos certamente conhecem alguém que está sempre à nossa disposição para dar seus conselhos, pouco se importando se o pedem ou se alguém têm a intenção de recebê-los. Essas pessoas, que têm um gosto especial pelas suas próprias opiniões, iniciam as suas sessões de aconselhamentos logo que ouvem uma simples queixa de alguém que está próximo. Essa queixa pode ser o sinal para um rosário de conselhos.

O pior é que nem todas as pessoas que caiem na rede dos conselheiros estão preparadas para esse tipo de enfrentamento. Daí a dificuldade que tem para livrar-se dessas pessoas opiniáticas e intrometidas.

Faz-se necessário, pois, que estejam preparados para resolverem problemas criados por essas pessoas inconvenientes, que estão sempre prontas para o seu assédio, com o fito de interferir em vidas alheias. Essa situação é agravada pelo fato de que os conselheiros acreditam que todos os escutam atentamente, e as suas recomendações serão observadas.

À primeira vista, o incômodo que os conselheiros causam pode parecer de pouca importância, e que com paciência livram-se deles. Ledo engano. Pode-se ouvir tudo o que dizem, mas não que suas opiniões emitidas serão aceitas por quem as ouve.

Mas, parar de falar, os conselheiros não param. Na realidade, eles somente param depois de dizerem tudo o que pensam ser valioso para os seus ouvintes. Estes, no entanto, pagam o preço por serem educados, embora já carentes de paciência. Pior ainda, os aconselhados sentem-se em desespero por não encontrarem nenhum meio eficaz para administrar essa situação, e, então, são tomados de incontrolável fúria, que só não transparecerá graças ao seu esforço mental.

Depois dos esforços para suportar a fala dos conselheiros, vem o aborrecimento das suas vítimas. Por isso, é necessário o uso de todos os meios possíveis para que parem com seus conselhos. E como medida preventiva, evita-se esses assédios com lembretes para isso, com os nomes deles (mentores) num pequeno caderno ou no celular, que fique ao seu alcance, para que possam identificá-los; o passo seguinte será a fuga do aconselhado (vítima) do local em que se encontra o conselheiro.

Essa medida preventiva, contra a ação desses conselheiros não pode ficar restrita ao caderno ou no celular, nos quais constam os seus nomes (conselheiros), já que outros tantos, que ainda não são conhecidos, andam por aí, sôfregos, à procura de alguém para dar a suas sábias orientações de vida, para dizerem o que os aconselhados devem fazer, nesta ou naquela situação.

E, pobre de quem tentar convencer os conselheiros de que devem deixar que cada um resolva os seus problemas, nos limites de suas possibilidades. Premidos pela incontrolável compulsão de falar, saem às tontas em busca de alguém para dar os seus sábios conselhos.

Diga-se, que os conselheiros fazem costumeiramente uma exposição de motivos ao aconselhado, visando sempre orientá-lo para que tenha uma vida melhor, segundo pensam esses mentores. Depois dizem à sua vítima abordada, que ela deve saber ouvir os seus bons conselhos, que visam o seu bem. E sempre que encerram a conversa, dizem à infeliz vítima, que os ouve:

Faça o que eu digo.




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28 comentários:

  1. Boa noite de paz, amigo Pedro!
    Confesso que, em tantos anos de convívio virtual não ouvi/li tanta sabedoria de vida reunida num só post.
    Parabéns pela lucidez na exposição das ideias centrais que geraram um texto a nível psicológico de muita grandeza!
    Passou seu texto pelas camadas da alma.
    Ouso dizer que com uma veracidade até espiritual como fazia Jesus, o Mestre dos mestres.
    Que não façamos o que 'conselheiros' fazem!
    Muito obrigada por tão grande ensinamento
    Creio que já li na Taís uma vez sobre a necessidade que muitos têm de terem razão, se esquecendo de serem felizes (desculpe-me se não foi na amiga que li).
    Tenha um amanhecer abençoado com saúde e paz!
    Abraços fraternos

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  2. Un brano notevole e molto interessante nel suo denso contenuto
    Un caro saluto, Pedro,silvia

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  3. Pedro, no me gusta esa frase "haz lo que te digo" y menos cuando se dice con autoridad, suelen ser egos fuertes. Sin embargo es cierto que hay personas sabias, buenas, que si que merecen hacerles caso, pero pienso que al final es uno mismo el que se tiene que decidir, si se equivoca la culpa es solo de él.
    Feliz martes amigo Pedro. Un placer siempre leete.
    Un abrazo

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  4. Bom dia, amigo Pedro,
    Sua crônica aborda um tema muito importante, porque existe gente que não tem a mínima noção de incomodar com seus conselhos desagradáveis e muitas vezes nos deixam irritados.
    E quando é sua amiga que aborda tema que você não gosta de falar e muito menos ouvir e no entanto tem que escutá-la por mais de duas horas!
    Como fugir do assunto se ela não para de falar e até te manda áudio falando por mais de 30 minutos.
    Tem dia que tenho vontade de encontrá-la, mas tenho medo dos seus conselhos😀.

    Tenha uma ótima terça-feira co. Saúde e muita paz.

    Um abraço.

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  5. Lamentablemente, así ha sucedido siempre y así sigue sucediendo. A todos esos que presumen de dar buenos consejos es bastante fácil llegar a parar los pies, simplemente con buenas palabras dar un giro en la conversación pidiéndole consejo sobre otro tema que carezca por completo de preparación, para poder emitir un juicio sobre un tema que conocemos en profundidad y que sabemos ni está preparado ni tiene respuesta a nuestra petición. Hay una frase que reza así "dime de qué presumes y te diré de que careces".
    Un fuerte abrazo de amistad y feliz resto de semana Pedro.

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  6. Olá, amigo Pedro.
    Li atentamente esta sua crónica, e subscrevo as suas na íntegra o seu mal estar.
    Há efetivamente muitos "conselheiros", que tentam influenciar a opinião pública com os seus supostos saberes, que não passam de conversa fiada, partindo do pressuposto que o que dizem, é a única e exclusiva verdade. Puro engano. Não passam de charlatães, tentado vender a "banha da cobra".

    Excelente crónica, muito oportuna.

    Votos de uma excelente semana, com muita saúde.

    Abraço amigo.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com

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  7. Sensacional, Pedro! E confesso, não tenho mais a menor paciência pra aguentar esses conselheiros da boca pra fora, pois na verdade, na hora deles, fazem tudo diferente do que apregoam! AFFF,afff, aff...

    abração, lindo dia! chica

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  8. Grande momento mestre. Uma crônica perfeita para os conselheiros de plantão, que até nos bares e cafés assediam, quando não nos encontram em plena arquibancada de um estádio. Lendo suas dicas de livramento, lembrei dos chatos de telemarketing, que a gente bloqueia um telefone, eles vem com outro. Estes são piores ainda, pois se metem a direcionar até o seu dinheiro, numa total invasão de privacidade.
    Bela lucidez amigo mestre.
    Um abração e tudo de bom na semana.

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  9. Caro Pedro,
    Esse hábito de interferir na vida alheia e, que incomoda quem está ouvindo, pode estar relacionada com várias situações, entre elas a própria personalidade da pessoa, um hábito familiar, carência, ser parte de um distúrbio de ansiedade, ou ainda, ser uma péssima mania de se meter onde não foi chamado.
    Minha saudosa vó Lourdes, sempre dizia: “Sua cabeça, sua sentença!” - ou seja, ninguém deve ir pela cabeça dos outros, seja voluntariamente ou involuntariamente.
    Emitir uma opinião é bem diferente de ter alguém determinar dentro de “velados aconselhamentos”, aquilo que muitas vezes o próprio “mentor” não pratica em sua vida. É o conhecido: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.” - regularmente usado para determinar alguém, que demonstra maus exemplos em suas atitudes.
    Resumindo... Temos de conviver com todo tipo de gente nessa vida, afinal de contas, nunca sabemos como os outros também nos enxergam, pois, nós somos “os outros para os outros”.
    Mas enfim, sempre é mais prudente se calar, que falar demais.
    Um abraço e boa continuidade de semana!!!

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  10. Por aquí hay un refrán , que refleja el sentir popular, sobre ese asunto y dice así.

    "Consejos tengo y para mí no tengo"

    Besos

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  11. Cierto Pedro ay personas que tienen consejo para todo incluso medico. Este ultimo grupo de personas cuando veo que acuden al medico hasta me causa sorpresa.

    Saludos.

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  12. Entre conselheiros e os que começam as frases com "se fosse eu..." venha o diabo e escolha.
    Abraço

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  13. Me has hecho sonreír con tu frase final: Faça o que eu digo.
    Tienes razón, son muchas las personas que creen saber de todo y, sin darse cuenta, como algo instintivo, te sueltan un rollo con remedios para todo, por aquí diríamos: Meterse en camisas de once varas, es decir, inmiscuirse en lo que no les incumbe.
    Cariños y feliz primavera.
    kasioles

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  14. Está sempre a acontecer o que escreve nesta sua excelente crónica. Há pessoas que têm a certeza de tudo e usam as suas opiniões para aconselhar os outros quere eles queiram quer não. E Deus nos livre dessas pessoas que só têm certezas!
    Continue a cuidar-se bem, meu Amigo Pedro.
    Um beijo.

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  15. Una buena reflexión Pedro sobre estas personas que tanto les gusta dar consejos sea del tema que sea, y pareciendo que todo lo saben, y es que siempre son personas que hablan demasiado, por lo cual repitan y repiten. Desde luego son bien cansinas.
    Buen tema que me ha gustado leer.
    Un abrazo y buen día.

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  16. E a gente pensa: "Faça o que eu digo, mas não faça o que faço", caso contrário também vou para o caderno ou celular, e serei evitado como o Diabo evita uma cruz. De qualquer modo, eu seguirei o seu conselho: evitarei tais conselheiros.
    Forte abraço, meu amigo Pedro!

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  17. Muchas personas tienen la costumbre de dar consejos sin tener los conocimientos necesarios. Creo que no es acertado dar consejos si no te los piden.
    Me ha parecido estupenda tu reflexión.
    Un beso. Feliz fin de semana.

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  18. Olá, amigo Pedro,
    Passando por aqui, agradecendo a visita e gentil comentário, e desejar um Feliz fim de semana com muita saúde.

    Abraço amigo.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com

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  19. Peliagudo tema has tocado, yo quiero pensar que las personas que se pasan a la hora de dar consejosinvolucrándose en las vidas ajenas quizás no lo hagan para fastidiar, me agrada mas pensar que piensan que están ayudando de alguna manera, porque lo contrario te llena de rabia que tampoco es bueno
    Me ha gustado mucho leerte
    Un abrazo

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  20. Por lo que he creído entender, veo que está muy enojado. Es inevitable que algunas personas sean molestas con su manera de comunicarse. Confío que yo por mi afición a opinar, no haya caído en semejante vicio. De ser así, pido perdón y presento mis excusas porque no es mi intención decirle a nadie cómo tiene que pensar. Tiene usted todos mis respetos. Saludos muy afectuosos y cordiales.

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  21. Na minha terra à um ditado popular que diz se os conselhos fossem bons não se davam vendiam-se.
    Gostei do texto.
    Um abraço e tenha um excelente fim-de-semana.

    Andarilhar
    Dedais de Francisco e Idalisa
    Livros-Autografados

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  22. Agora fiquei sem jeito, amigo Pedro Luso.
    - E porquê, perguntará o Pedro - a Janita pertence ao grupo das pessoas incómodas que desata a dar conselhos a torto e a direito sem que alguém os peça?

    - Pois, é - respondo- A torto e a direito não será bem, mas a eito às vezes acontece-me. Agora vinha justamente alvitrar que o Pedro avisasse a Taís que aquele post sobre "A Nossa Finitude" que me preparava para ler, está ainda na Nuvem e "O Melhor das Festas" é que ainda por lá se mantèm.
    O meu conselho - sem pretender ser enxerida ( é assim que se escreve?) era, nada mais nada menos, do que a confirmação por parte da Taís se o post ficou encalhado por alguma razão que tenha passado despercebida à minha Amiga.

    Peço que não me leve a mal, mas este meu feito bastante protector, pode também ser o motivo porque tanta gente anda a dar conselhos. Coisa que se fosse precisa, não se dava...vendia-se, óbvio!

    Brincadeira à parte, gostei francamente desta sua Crónica, muito no género de uma outra que já li no blog da Taís.

    Abraço e bom fim-de-semana, Pedro.

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  23. Existe um ditado popular por cá, que diz... "Bem prega Frei Tomás, olha para o que ele diz, não olhes para o que ele faz!..." E como normalmente divergem...
    Enfim... conselhos são bons... mas eu fico-me pelo livre arbítrio!... Ouço tudo o que me queiram dizer... e no fim... ouço-me a mim mesma... pois no limite, tenho de ser eu a estar confortável com a consequência, do que eu decidir...
    Fantástica abordagem do tema, Pedro! Beijinho! Bom fim de semana!
    Ana

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  24. A melhor maneira de se fugir a esses conselheiros será nunca nos queixarmos. Temos que fazer de conta que não temos nada que nos apoquente, seja de saúde, de dinheiro ou de outra coisa qualquer. Assim, eles ficam sem espaço para os seus aconselhamentos.
    Excelente crónica, gostei de ler.
    Boa semana, caro Pedro.
    Abraço.

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  25. Oi, Pedro!, "prefiro ser esta metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo ..." Raul Seixas, salvo erro, sabia das coisas!
    um abraço

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  26. Don Pedro:
    sí, hay demasiada gente así, que siempre están dando consejos aunque nadie se los pida.
    Abraços.

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  27. Lá diz o ditado : Conselho, se fosse bom, não se dava, vendia-se.
    Excelente crónica. Gostei muito.
    Brisas doces*

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Pedro Luso de Carvalho