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4 de jul de 2010

PARA LER GRACILIANO RAMOS





Enquanto me preparo para escrever, sem muita pressa, um trabalho sobre a obra de Graciliano Ramos, para ser publicado no meu outro blog (Panorama), vou juntando livros de cartas, biografias, ensaios e anotações que faço sobre os romances do escritor. Dentre essas obras, uma de grande importancia é Ficção e Confissão, de Antônio Cândido, publicada pela Livraria José Olympio, Editora, Rio de Janeiro, 1956; no seu intróito, diz o autor que "O presente ensaio sobre Graciliano Ramos foi escrito (refundindo velhas notas) para servir de introdução às suas Obras, reeditadas por José Olympio em 1955, tendo aparecido no 1º volume Caetés. Publicando-se agora em separado, aproveitei para fazer vários retoques de forma. A. C. São Paulo, setembro de 1955".
 
 
Vejamos, pois, o que diz Antônio Cândido, na introdução de Ficção e Confissão: "Para ler Graciliano Ramos, talvez convenha ao leitor aparelhar-se do espírito de jornada, dispondo-se a uma experiencia que se desdobra em etapas e, principiada na narração de costumes, termina pela confissão das mais vívidas emoções pessoais. Com isto, percorre o sertão, a mata, a fazenda, a vila, a cidade, a casa, a prisão, vendo fazendeiros e vaqueiros, empregados e funcionários, políticos e vagabundos, pelos quais passa o romancista, progredindo no sentido de integrar o que observa a seu modo peculiar de julgar e de sentir. De tal forma que, embora pouco afeito ao pitoresco e ao descritivo, e antes de mais nada preocupado em ser, por intermédio de sua obra, como artista e como homem, termina por nos conduzir discretamente a esferas bastante várias de humanidade, sem se afastar demasiado de certos temas e modos de escrever.
 
 
Se quisermos sentir esta unidade na diversidade - prossegue Antônio Cândido -, para reviver a experiencia humana que ela comporta, parece de bom aviso acompanhar a evolução da sua obra ao longo dos diversos livros, na ordem em que foram compostos, tentando captar nesse roteiro os motivos que a fazem tão importante como experiencia literária, pois, na verdade, é das que não passam sobre nós sem deixar o sulco geralmente aberto no espírito pelas grandes criações".
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6 comentários:

  1. Graciliano Ramos é um escritor que chama a atenção pois nos comove com seus dramas e ações que retratam a realidade da vida.
    Tenho dele o Livro "Literatura Comentada, que e um apanhado geral de sua obra.

    bjs

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  2. Vou relatar aqui, Pedro, minha primeira experiência com um livro de Graciliano.

    Até hoje lembro-me do impacto sofrido, quando mais jovem, li "Vidas Secas". O livro foi um presente do meu avô, leitor compulsivo, que insistia que eu conhecesse desde logo o autor. Mas convenhamos, tratamento de choque. rsrs Quando deparei-me com as frases enxutas, a escolha de palavras, - a essência da essência brotando daquela história triste, instigante, riquíssima, precisei rever meu pensamento sobre o fazer literário. Sobretudo, as muitas linhas nas entrelinhas da obra, - até ali nunca havia encontrado tantas em outro autor - eram como um fenômeno. Silêncios que gritavam.

    A obra me trazia muitas mensagens, provando inclusive que havia possibilidade de, sem sair de um contexto lacradíssimo, escancarar um portal para questões universais que assolam o homem. Impossível ler Vidas Secas e ignorar a força inventiva de Graciliano, ou a escrita densa e plena de mensagens que me pegaram de surpresa fazendo-me passear todo o tempo entre o social e o psicológico. 'Hipnotizada", li de um só fôlego. Foi um acontecimento ler o Graciliano pela primeira vez. Diferente de tudo que eu havia lido até então. Acho que sensação parecida só fui ter alguns anos depois ao começar a ler Dostoiéviski. Mas esse é um outro assunto...

    Quanto ao texto do Antonio Cândido, muito bom e pertinente especialmente em seu desfecho, que lembrou-me: não acredito que se deva começar a ler Graciliano por Vidas Secas... O impacto é muito grande. Mas, lógico, não sou crítica literária. É uma opinião isolada; amadorística.

    Bjs, Pedro, e inté!

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  3. Pedro,

    Aí está um autor que preciso voltar a ler. Li coisas dele no Colégio, mais adiante algo na adolescência, e parei... Bom incentivo, esta série que vais começar!

    Abço
    Cesar

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  4. Não há quem leia uma única linha deste autor e não sinta os sulcos na alma. Ele é genial na criação literária e na representação dos tipos e questões humanas....

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  5. "...Quem nos deu asas para andar de rastos?
    Quem nos deu olhos para ver os astros
    Sem nos dar braços para os alcançar?!..."
    Lindo né...é Florbela Espanca...
    Que flutua no meu blog...
    E espera por você...
    Beijos...
    Leca...

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  6. Anônimo00:34

    Ler o mestre Graciliano é antes de tudo um exercício de brasilidade. É para mim mergulhar em um universo da palavra enxuta, exata, seca como o sertão de onde veio este maravilhoso escritor, que nunca perdeu sua essência mesmo com todas as adversidades pelas quais passou. Ler Vidas secas, Angústia,Infância,São Bernardo é beber na fonte da melhor literatura deste Brasil!

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PEDRO LUSO