FARPAS DO TEMPO
- Pedro Luso de Carvalho
O velho saiu à rua
rua ladeada por prédios,
na misteriosa manhã
manhã sem som e sem eco.
O relógio na fachada
enorme e sem os ponteiros,
diante do velho assustado
sem saber para onde ir.
O homem na frente do velho
ao ser tocado virou-se,
era um homem sem rosto
que se esfacelou no chão.
Depois viu o carro fúnebre
caixão que se abriu na queda,
o velho viu assombrado
ali era ele o defunto.
Num gesto brusco acordou
depois abriu a janela,
e deixou o sol entrar
naquela manhã dourada.
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NOTA:
Escrevi este poema inspirado no filme sueco
“Morangos Silvestres” de 1957, dirigido por
Ingmar Bergman, na cena inicial do filme,
em que o velho médico tem um terrível
pesadelo.
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