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13 de jun de 2010

A MÚSICA POPULAR NO BRASIL - 3ª Parte



                    por Pedro Luso de Carvalho


        Seguimos com A Música Popular no Brasil, agora na sua terceira parte, com a análise que é feita por Nelson Werneck Sodré, no capítulo Música, do seu livro Síntese de História e Cultura Brasileira (Civilização Brasileira, 9ª ed., Rio de Janeiro, 1981). Na segunda parte desse texto, minha última postagem, Nelson Werneck Sodré fala dos versos de Chão de estrelas, de Orestes Barbosa, bem como da poesia de Noel Rosa. O escritor afirma que esses letristas da música popular salvaram a poesia brasileira. E diz ainda, que quem estudar a fundo as letras da música popular dos anos 30 verá que “lá estão muitos achados que botam no chinelo quase toda a versalhada de 1945 para cá”.

        Escreve Nelson Werneck Sodré: “O disco, antes do advento do rádio, teve a função pioneira de trabalhar o mercado para a produção musical; o rádio deu dimensões gigantescas a esse mercado, nas condições limitativas peculiares ao Brasil. De qualquer maneira, o disco é muitíssimo mais popular do que o livro, e o rádio colocou à disposição dos que não dispunham de aparelho para rodar o disco, a música que o público desejava; os programas radiofônicos de maior audiência são os de pedidos musicais. A pouco e pouco, nessa base, da relação entre milhões de ouvintes, de um lado, e as emissoras e editoras de discos, de outro, formou-se e cresceu no mercado musical”.

        Depois de ter escrito sobre o rádio e o disco, Werneck Sodré dá enfase na importância da televisão para o mercado da música: “A televisão apenas ampliou as dimensões desse mercado e acrescentou, com as consequências necessárias, os elementos cênicos ligados à imagem; de qualquer modo, multiplicou extraordinariamente a eficácia da difusão musical. Essas relações mudaram também de qualidade, ao ultrapassar certo nível quantitativo; cedo ficou constatado que música, além de arte, era também mercadoria, precisava receber determinado tratamento, adequado à sua colocação no mercado; não é de surpreender que o teor artístico tenha cedido lugar ao teor mercantil. Claro que, como em todas as outras manifestações culturais, a culpa foi lançada aos consumidores, ao público”.

    Nelson Werneck Sodré continua falando, em Música, de sua Síntese de História e Cultura Brasileira, sobre o mercado musical discográfico, sobre a forma usada pelo rádio e pela televisão para criar mitos, visando sempre o lucro para esses meios de comunicação e para os cantores e cantoras, em detrimento da boa qualidade da música, que era entregue ao público. Mas, fico por aqui, sem entrar nos detalhes áridos desse mercado. Na próxima parte de A Música Popular no Brasil, será feita a abordagem da Bossa Nova, que surgiu para defender a nossa música popular, gênero musical de nível internacional.


                                                                           *  *  *

3 comentários:

  1. Tentei esperar vc terminar de postar todo o texto, mas não consegui mais adiar minha vinda a este lugar.
    E que bom que estou aqui. Sou uma saudosista de toda cultura que não conheço e á qual não vivi. gosto de pessoas mais velhas, fotos antigas, musicas mais velhas e sempre atuais. E vc sempre me presenteando com esse mundo que ignoro.
    Estou me deliciando com nossa historiografia musical: Vila Lobos (mus. clássica), Chiquinha (marchas carnavalescas), o samba de Noel e tantos outros...E agora é esperar o quem vem com a bossa nova. Aliado a toda esta informação vc ainda nos faz pensar na influência mercadológica do rádio e da tv na consolidação e formação da nossa música.
    Muito boa esta série de textos...

    Abraços

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  2. Estou tentando não perder nenhuma aula....pois a cultura geral precisa...
    Abraço

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  3. A música de qualidade, com potencial capaz de contribuir significativamente ainda hoje é quase que totalmente ignorada. Além de alijada dos currículos escolares desde a educação fundamental, transformou-se, com o passar do tempo, num mercado cada vez mais lucrativo...

    Trabalhei durante algum tempo para uma gravadora, no início da década de 80, e conheci de perto esse processo que deixava "cozinhando" o que era qualitativamente superior para, primeiro, preparar e servir ao público o prato "raso" que representaria retorno imediato. Não se podia fugir aos budgets enviados à matriz. E era triste ver artistas cujo trabalho tinha grande significado aguardando o sucesso dos populares antes que finalmente os executivos da música lhes dessem sinal verde para que pudessem entrar em estúdio e gravar.

    Muito interessante essa série, Pedro.

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PEDRO LUSO