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29 de jul de 2012

ERNESTO SÁBATO / O Verdadeiro Escritor



                            por Pedro Luso de Carvalho
                     

           ERNESTO SÁBATO é reconhecidamente um dos maiores romancistas da América Latina. Escreveu importantes obras, como O túnel, Sobre heróis e tumbas, entre outras. Mas, esse escritor nascido em Rojas, Argentina, em 1911, não tem seu talento restrito à ficção, tendo se doutorado em Física, em 1937, e, na nessa condição, passou a integrar, como pesquisador, o Laboratório Curie, em Paris. Insatisfeito com o que antevia na física, relativamente à bomba atômica, trocou a ciência pela literatura.

         Além de seus romances, Sábato tem contribuído para a literatura com ensaios da melhor qualidade, como é o caso do livro O escritor e seus fantasmas (Companhia Das Letras, São Paulo, 2003), de cuja obra escolhemos o título "O Escritor e as Viagens", no qual o escritor desmistifica a importância que se dá às viagens, no sentido de que estas possam ajudar a quem escreve. Segue, pois, fragmento de O verdadeiro escritor, de Ernesto Sabato  (p.21):

        “Para o bem e para o mal, o verdadeiro escritor escreve sobre a realidade que sofreu e de que se alimentou, isto é, sobre a pátria, embora, às vezes, pareça fazê-lo sobre histórias distantes no tempo e no espaço. Creio que Baudelaire que a pátria é a infância. Parece-me difícil escrever algo profundo que não esteja ligado de maneira aberta ou emaranhada à infância. Por isso, mesmo os grandes expatriados como Ibsen ou Joyce continuaram tecendo e destecendo essa mesma misteriosa trama. Viajar é sempre um pouco superficial. O escritor de nosso tempo deve submergir na realidade. E, se viaja, que seja para submergir, paradoxalmente, no lugar e nos seres de seu próprio rincão”.



                                                                
                                                                    *  *  *

7 comentários:

  1. Pedrão

    Sou um admirador do Sábato, mas, neste particular, não me considero um «verdadeiro escritor» porque adoro viajar e escrever sobre as viagens que faço. Submerjo-me sim, na realidade do que descubro. Daí, se tivesse pretensões a sê-lo, nunca chegaria à classe do «bom escritor»...

    Como sempre, uma boa postagem.

    Qjs para a Tais e abs para tu (ou será ti?...)

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  2. Interessante quando ele diz que o escritor escreve sobre a realidade que sofreu. Tenho prestado atençao nos livros que ando lendo e vejo que escrevem, de fato, sobre aquilo que seus olhos veem, não necessariamente o que viveram mas o que viram e sentiram....

    Abraços...

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  3. nossssssa legal visse adorei não conhecia (Ernesto Sábato)

    XEROOOOOOOOO

    :)

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  4. Pedro,

    Já li algo de Sabaro, mas não me lebbro o que... Anos atrás...

    Bem, concordo com a afirmação que ele faz sobre o "escrever sobre o que sofreu", ou pelo que se passou. Acho que essa é uma realidade que a maioria dos escritores vivencia. Mesmo quando estão mergulhados no terreno da criação ficcional, há quem garanta que nada do que criam, os escritores, deixa de ter relação direta com as coisas que viveram ou perceberam ao longo de uma vida; ainda que muitas delas estejam enterradas num passado remoto ou sejam apenas reminiscências subconscientes.

    Abraço!
    Cesar

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  5. oi pedro,
    não faz ideia de minha alegria de recebe-lo no meu espaço e ainda ser meu seguidor.
    fez um bem enorme para minha alma obrigada.
    eu ja conhecia sábato, mas não li nada dele ainda (meu marido gosta muito de sua leitura e por ele vim a conhece-lo)
    otima postagem.
    vou procurar fazer uma leitura deste que cita.
    otima semana.
    bjos.

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  6. Concordo com Sábato, creio que o fantasma e o paraíso do escritor são a infância, este emaranhado que se decifra quando se escreve. E Guimarães Rosa tão bem nos demonstra essa tese do Sábato:
    "...E, se viaja, que seja para submergir, paradoxalmente, no lugar e nos seres de seu próprio rincão”.

    Grande abraço, Pedro.

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  7. Pedro,

    Precisei voltar aqui para contar aos seus leitores, que comprei e li "O escritor e seus fantasmas". Grande dica. Uma leitura indispensável para quem quer se meter a escrever, como eu.

    abço
    Cesar

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PEDRO LUSO