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1 de abr de 2013

[Filosofia] PEDRO LUSO - 2ª Guerra Mundial: Causas & Judeus


                                      
                       

                          2ª GUERRA MUNDIAL: CAUSAS E JUDEUS

                          -  PEDRO LUSO DE CARVALHO      
       

Em setembro de 1939, não mais se podia falar em paz, na Europa. A Segunda Guerra Mundial passou a envolver milhões de pessoas num conflito de horror jamais imaginado. Um dos motivos, que de diversos modos contribuiu para que a guerra fosse deflagrada foi a grave crise econômica, a Grande Depressão. E foi justamente a Grande Depressão que se constituiu em causa para que o nazismo tivesse triunfado na Alemanha.

A Alemanha teve como adeptos milhões de pessoas procedentes da área dos agricultores, dos desempregados e dos atemorizados funcionários de escritório, sem excluir membros das classes privilegiadas, que tinham a convicção de que o partido nazista apontava o caminho certo. O povo alemão, em número expressivo, passou a acreditar nas soluções apontadas por Hitler.
        
Sobre as causas subjacentes desse conflito mundial, o historiador Edward MacNall Burns lembra o que disse Konrad Heiden: "um pequeno grupo que persuadiu o presidente von Hundenburg a nomear Hitler para o posto de chanceler acreditava que só o líder nazista tinha probabilidade de governar o país com o apoio de uma maioria do Reichstag. Supunha-se capazes de controlá-lo, visto que um deles, von Papen, seria vice-chanceler e o gabinete incluiria apenas três nazistas num total de dez ministros".
  
Mais algumas causas subjacentes da Segunda Guerra Mundial são ainda lembradas por Burns: " (...) uma delas foi a revolta causada nos países ocidentais pelo fanatismo do regime nazista e pela perseguição movida aos judeus e outras minorias. Outra foi a desilusão resultante da Primeira Guerra Mundial. A muitos, essa guerra afigurava-se ter sido uma matança insensata sem nenhum efeito benéfico. Seus frutos tinham sido o militarismo, a ruína econômica, a intensidade do nacionalismo e a mais cruel depressão que o mundo conhecera".

Muitas abordagens podem ser feitas sobre a Segunda Guerra Mundial, tanto as que dizem respeito à economia mundial, e em especial na Alemanha, como ao extraordinário número de pessoas que perderam a vida ou que ficaram mutiladas, de todas as nacionalidades envolvidas no conflito. Mas dentre os povos que mais sofreram nesse conflito destaca-se o povo judeu, para o qual Hitler na sua demência reservou os momentos os mais dramáticos e monstruosos, para vergonha da Humanidade.

Sobre o destino que estava reservado aos judeus, segue uma estatística de horror: somente na Rússia, os nazistas teriam eliminado fisicamente não menos de um milhão e meio de homens. Durante o verão de 1944, em um mês e meio, em Auschwitz, foram exterminados cerca de 300 mil judeus húngaros. No mesmo 'Lager' o total das vítimas, segundo cálculos acurados, chegaria a 600 mil. 80 mil pessoas, entre elas os sobreviventes do gueto de Varsóvia, foram mortas nas câmaras de gás de Treblinka, em menos de um semestre. Karl Adolf Eichmann, chefe da secção de judeus da Gestapo, calculou que o total de judeus exterminados devia girar em torno de 5 ou 6 milhões de pessoas.

Ainda sobre esse ignominioso extermínio, a cifra calculada durante o processo de Nuremberg, e confirmada pelo Conselho Mundial Judaico, foi de 5.700.000 vítimas. O historiador Gerald Reitlinger chegou a conclusão de que o total de judeus massacrados deveria estar entre 4.194.200 e os 4.581.200. "Uma autentica estatística de horror – escreve Enzo Colloti – faz chegar a 18 milhões de seres humanos de todas as nacionalidades que passaram pelos campos de concentração nazistas na Alemanha e na Europa ocupada: destes 18 milhões, 11 representariam o saldo da perseguição e das deportações".

Encerro este trabalho citando o que disse o marxista e importante dramaturgo e diretor de teatro alemão, Bertolt Brecht (1898-1956): “Assim como o fracasso de seus empreendimentos não faz de Hitler um tolo, também a dimensão desses mesmos empreendimentos não o torna um grande homem. E vós, aprendei que é necessário ver e não olhar para o céu; é necessário agir e não falar. Esse monstro chegou quase a governar o mundo! Os fogos se apagaram, mas não sejamos afoitos em cantar vitória: o ventre que o gerou ainda é fecundo". (B. Brecht, La Resistibili Ascesa di Arturo Ui, ed. Einaudi, 1963.)




REFERENCIAS:
BURNS, Edward McNall. História da Civilização Ocidental. 2ª ed. Vol. II. Porto Alegre:  Globo, 1966.
ALEOTTI, Luciano. Hitler. Tradução de Cláudia Queiroz. Rio de Janeiro: Melhoramentos, 1975.



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5 comentários:

  1. Sempre importante refletir sobre o tema... Especialmente no mundo conturbado que estamos vivendo, em que os "hitler" proliferam nas mais estranhas versões em diferentes continenntes...

    Veja a Palestina... Não parece um campo de concentração a céu aberto??

    E hoje o horror pode contar com as benesses de uma avançada tecnologia...

    Bjs, Pedro. E inté!

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  2. Não podemos nos esquecer desse período terrível.
    Lembrei-me do filme de Bergman, "O ovo da serpente". Essa preocupação não morreu.

    Grande abraço.

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  3. Oi amigo, tudo bem? Sou o Marcos, administrador do Blog do Bicho do Mato e venho, através deste comentário, lhe convidar para o Primeiro Concurso de Poesias, "Pena de Ouro" do Blog do Bicho do Mato, que será realizado de 20 a 30 de abril de 2013. Ficarei muito honrado com sua participação que será muito importante para o êxito deste evento.

    Para ler o regulamento, clique neste LINK. Conto com sua presença.

    Grato pela atenção.

    Grande abraço do amigo Marcos. Até mais.

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  4. Sempre que vejo uma foto de Hitler, me dá um tremor de medo por trás do pescoço. Acho que de medo, não sei.

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  5. "Aquéllos que niegan Auschwitz estarían dispuestos a volver a hacerlo."- PRIMO LEVI -
    Imprescindible tener presente la atrocidad del holocausto.Para que no vuelva a repetirse.

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