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4 de jun de 2010

A MÚSICA POPULAR NO BRASIL - 1ª Parte




O tema A música Popular no Brasil é tratado por Nelson Werneck Sodré numa de suas mais importantes obras, como veremos abaixo. Antes porém, escrevo algumas linhas sobre o autor. Nelson Werneck Sodré nasceu no Rio de Janeiro em 1911. Foi escritor e militar. Na carreira militar, atingiu o generalato. Morreu Itu, SP, a 13 de janeiro de 1999. De sua dedicação ao estudo da História, da Sociologia e da Política, nasceram variadas obras, que foram desenvolvidas nesses tres campos. Dentre os seus livros, destacam-se: História da literatura brasileira (1938), Panorama do Segundo Império (1939), Formação da sociedade brasileira (1944) e Formação histórica do Brasil (1967).


Homem de sólida cultura e de reconhecida inteligência, Nelson Werneck Sodré viria a escrever também outra obra importante, além das mencionadas acima, e além de outras tantas, qual seja: Síntese de História e cultura brasileira (Civilização Brasileira, 9ª ed., Rio de Janeiro, 1981). Esse livro está dividido em duas partes, e seus respectivos capítulos: 1) A herança cultural; 2) O desenvolvimento cultural. Desta parte do livro, escolhi, para esta postagem, o capítulo que trata do tema sobre o desenvolvimento de nossa música popular, como segue:


"Se rádio e televisão não passam de técnicas, de instrumentos – escreve Nelson Werneck Sodré -, está fora de dúvida que alteram aquilo a que servem de veículo. E nenhuma arte tem sido mais fundamente atingida e afetada pelo rádio e pela televisão do que a música. “Sua história pode ser marcada, realmente, nas diferentes etapas, segundo o aparecimento das técnicas que ajudaram sua difusão. Por exemplo: antes do disco e depois do disco; antes do rádio e depois do rádio. Particularmente quanto à música popular. A outra, a erudita, de experiencia em experiencia, no 'mundo ocidental cristão', entrou num beco sem saída.


Entre nós – prossegue Sodré -, Vila Lobos continua a ser sua grande expressão, com dimensão mundial, tendo recolhido motivos populares em suas composições. Foi a música popular que avançou consideravelmente, no Brasil, acompanhando a rápida urbanização de nossas populações. A urbanização, pois, foi seu primeiro fator de desenvolvimento; o segundo esteve, sem dúvida, na existencia e prestígio crescente de uma festa popular e urbana particularmente na música e na dança, que foi o carnaval. A urbanização permitiu, por outro lado, o aparecimento do teatro musicado, que veiculou também a música popular, antes do disco.

E no mais foram as festas; o conhecimento das novas composições tornou-se possível assim: com festas de salão, de residencias, de clubes; com o teatro musicado; e, principalmente, com a festa anual carnavalesca, com os blocos, os ranchos, as escolas-de-samba, e o coro da multidão. Esses veículos é que permitiram à música popular brasileira tomar forma urbana. Alguns momentos marcaram essa longa etapa, iniciada ainda nos fins do século XIX: o aparecimento, por exemplo, em 1897, da marcha carnavalesca, ainda semi-erudita, de Chiquinha Gonzaga: Ó abre alas".
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Na próxima postagem continuarei com esse tema, no qual Nelson Werneck Sodré trata do desenvolvimento do música popular no Brasil.
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5 comentários:

  1. oi pedro,
    Sempre me vem milhares de pensamentos e emoções quando leio suas palavras.
    Belo texto!
    Beijos.

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  2. Boa noite, Pedro, vim agradecer pelo teu comentário lá em meu blog. Fiquei muito feliz. Vejo que você encara a literatura, a música, as artes em geral, com seriedade, boa seriedade, e espírito crítico, aguçado por estudos e leituras. Então, vindo de você, uma apreciação como fez, me incentiva, estimula, gratifica.
    Gostei dessa postagem sobre a Música Popular no Brasil. E acho lamentável o beco sem saída referido pelo Nelson com respeito à música erudita no Brasil. Acredito que se ele continuasse os estudos referentes à nossa música, encontraria explicações sociológicas e culturais para os caminhos que a mesma tomou, desembocando no funk, na música sertaneja atual, no axé, etc... Olha, nada contra, música popular, acredito, se presta a isto: a expressar a alma de um povo, de uma cultura. Sociologicamente tudo tem um embasamento. Mas, deveria haver lugar para a música erudita também.
    E devo dizer que simplesmente adoro as músicas da Chiquinha Gonzaga.
    Grande abraço, meu amigo.

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  3. Pedrão

    Tema muito interessante. Segui e sigo com alguma atenção a música popular brasileira. Mas também gosto muito de Vila Lobos. Outros compositores de clássica do Brasil, quase nem conheço. É urgente fazer algo pela sua divulgação.

    Ainda quando miúdo, outro Gonzaga, o Luís deixava-me entusiasmado. De tal sorte que um dia disse que quando fosse grande queria ser chofer de táxi. Por causa dele

    Ainda sou capaz de recordar:

    «Juntei dinheiro quase um ano inteiro, entrei pra escola para ser chofer. Dessa maneira, sem fazer besteira,tirei a carteira, botei meu boné. Bantendo pino sigo o meu destino, caminhando para onde Deus quisé. A vida passa, eu vou fazendo a praça, primeira, segunda, pisa em marcha ré

    Se o freguês reclama que eu sou vagaroso, que meu carro é velho e faz muita fumaça, eu não me zango, não faço arruaça, sou bem educado,
    Sou chofer de praça, ai, ai, não nego a minha raça, ai, ai, eu sou chofer de praça»

    Não se me lembrei; havia mais, mas a memória só chega até aqui. E podia citar muitos mais, incluindo a NOSSA Carmem Miranda; NOSSA porque é dos dois...

    Pedrão: lembras-te de cada uma... O Nelson Werneck Sodré não conhecia, antes de te ler. Mas, palavra que vou conhecer.

    Qjs à Tais e abs para tu

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  4. Anônimo14:01

    Pedro, maravilhoso trabalho de divulgação. Na sua preocupação por conservar a memória da musicalidade brasileira, a oportunidade de pessoas que, como eu, apreciam mas desconhecem muitas belas histórias. Obrigada! Como sempre, é um prazer visitar seu blog e beber de seus conhecimentos.

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  5. Um grande tema sob o competente olhar de Nelson Werneck Sodré. Já gosto.

    Quanto ao "beco sem saída" da música erudita é perfeitamente explicável num país onde a Educação, em qualquer época, tem sido totalmente ignorada pelo poder...

    Vou para o outro post...

    ju rigoni

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PEDRO LUSO