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5 de mai. de 2021

[Poesia] PEDRO LUSO – Ausências

 Vincent Van Gogh 


 

  AUSÊNCIAS

         - Pedro Luso de Carvalho




Do alto, urubus espreitam

em sinistros voos,

neste tempo de ausências

e de sofrimento.



Sob os telhados, corpos inertes,

presos à paredes vazias ,

tendo na boca um gosto amargo

do inevitável fel .



No breu das noites estendidas,

sem estrelas e sem luz,

demônios surdamente conspiram

tempo de ausências e dor.



Nas casas há tantas janelas

sem luz e sem paisagens

há jardins de murchas rosas,

em meio ao desespero.



Neste tempo de ausências e dor

vento forte, em lufadas,

percorre funéreo caminho

entre tumbas e ciprestes.





___________________//___________________







34 comentários:

  1. Tempo difícil amigo onde ausência supera a simples falta.
    Tempo de depuração, de mergulho no imenso vazio, que se
    abre à nossa frente, neste tempo de amor ausente, de vidas
    apagadas num imenso breu.
    Arte e poesia sempre.
    Meu abraço de paz e luz.

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  2. Boa noite de serenidade, amigo Pedro!
    Nas casas há tantas janelas
    sem luz e sem paisagens
    há jardins de murchas rosas,
    em meio ao desespero.
    A estrofe revela nosso caos mundial,
    Tanta ausência de tudo... Tristeza de solidão, carências, saudades...
    A desolaçâo quer dominar o mundo, mas contemplo o azul de Van Gosgh, fico mais esperançosa.
    Tenha um amanhecer abençoado!
    Abraços fraternos

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  3. Visioni d'oscuro in queste strofe, ove la situazione che stiamo vivendo, accentua il senso della poesia...
    Buongiorno Pedro,silvia

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  4. Tempos difíceis...
    O seu poema é brilhante, gostei imenso. Parabéns pelo talento e inspiração.
    Continuação de boa semana, caro Pedro.
    Abraço.

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  5. Que hermosa forma de versar la situación de dolor por las ausencias que se manifiestan en tantas familias por todas las partes de mundo.
    Un poema brillante en su decir, que me encantó leer.
    Un abrazo Pedro y buen resto de semana.

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  6. Ausencias y nostalgias en esta etapa tan difícil de superar.
    Hermosa pintura para acompañar tus intensas y bellas letras.
    Un beso.

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  7. Gostei bastante :))
    .
    O pouso da ousadia...
    .
    Beijos
    Uma excelente tarde!

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  8. Bien retratas los sufrimientos de estos últimos tiempos.

    Besos

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  9. Oi, Pedro, uma poesia que reflete magistralmente o nosso tempo de depuração que traz no seu bojo a dor e o obscurantismo, o espanto do planeta e das almas que nela habitam...tantas reflexões e nenhum alento.
    Um abraço

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  10. En este poema de una forma poética nos describes lo que se esta viviendo en estos tiempos difíciles.

    Saludos.

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  11. São muitas as ausências! Nessa pandemia em que se vive, que choramos em vários momentos do dia, só a poesia para nos apresentar beleza num poema tão triste!
    Triste porque toca todos nossos sentimentos de medo e de perdas. E diante disso, o que nos resta?
    Beijinho daqui do lado!

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  12. Versi molto cupi adatti al periodo triste che stiamo vivendo causa pandemia.
    Buona giornata.
    enrico

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  13. Oi Pedro, belo poema, a melancolia que vai na existência de alguns mais sensíveis, a poesia e palavras nos externa, parabéns! Que isso passe em breve, estamos cansados.
    Abraço e bom final de semana!

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  14. Boa tarde Pedro!
    Muito Obrigado, pela visita e gentil comentário no meu cantinho.
    Um poema melancólico. Que reflete os tempos que vivemos, de profunda tristeza e inquietação.
    Mas ao mesmo tempo, de uma beleza ímpar, que merece ser realçada.

    Parabéns!
    Abraço e feliz fim de semana!

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  15. Tus versos me han conmovido hasta lo más profundo del ser, se de qué hablas...
    Un abrazo amigo
    Carmen

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  16. Belo poema, mesmo sendo triste, como tristes são também as "ausencias"; sempre a nossa vida tem sido povoada de ausências e elas nunca nos agradaram, mesmo aquelas que sabiamos serem necessárias , mesmo as que eram fruto de opções de vida; deixam sempre um sabor amargo, as ausências, mas, agora, Pedro, parece que essa palavra dói mais; um ser invisivel, desconhecido e terrivel avança sobre todos, indiscriminadamente, sem aviso e os afasta, sem muitas vezes lhes dar a oportunidade de dizer um " até já ", pelo menos . Há aquelas ausências que nos doem pela vida fora, as ausências definitivas, as ausências que não mais se tornarão presenças, porque essa é a lei da vida, é a única certeza que ela nos dá à nascença; custam muito, mas, acabamos por aceitar, mas, estas, querido Amigo, estas que tão bem retratas no teu poema, são umas ausências forçadas, umas ausências, cujas presenças estão ali bem perto, ao " virar da esquina , no bloco de apartamentos ao lado do nosso, naquela cidadezinha, ali, a quinze minutos de distância e nós aqui, sozinhos, ausentes, sem poder abraçá-las, sem receber um afago, sem poder dar, a quem mais precisa, aquela mão amiga E nessa " ausência ", nessa impossibilidade de presença, de repente, o telefone toca e o coração aperta de tanta tristeza; o nosso grande amigo partiu e a sua ausencia vai doer horrores, principalmente por não ter havido possibilidades de minorar o sofrimento dele com as presenças que ele gostaria de ter tido antes de partir. Tantos, tantos e tantos casos como estes por esse mundo fora, Amigo e por isso estas tuas " Ausências " são tão sofridas, demasiadamente doīdas Só um coração grande e sensivel como o teu poderia fazer um poema destes, onde se nota aquela angústia própria
    de quem se sente impotente perante o sofrimento alheio. Obrigada, Amigo, por teres escrito tudo o que eu gostaria de dizer sobre esta horrivel pandemia. Um beijinho e boa noite. SAÚDE, queridos Amigos
    Emilia
    Emilia

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  17. O que se há de fazer senão cantar as ausências em tempos tão difíceis, mas é preciso cantar, ainda que o canto traga melancolias, lamentos. É fazer como nos ensinou Cecília: cantar, porque o instante existe.
    Cuide-se, meu amigo! Cuide-se!
    Um abraço,

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  18. Caro Pedro

    Palavras que nos tocam de perto, a todos e a cada um, neste
    tempo de sofrimento em uníssono. Em todo o mundo se clama
    a mesma dor e as outras dores causadas por essa e outras mais.
    Ausências que se choram e amarfanham o ser humano.
    Momento de Poesia que nos prende.
    Abraço, meu amigo.
    Olinda

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  19. Después de una leve semana de parón impuesta por la irritación de mis ojos y posterior operación por extirpación de la vesícula, nuevamente estamos saludando a los buenos amigos.
    Expresivas palabras en tus versos, fiel reflejo de la cara opuesta de la moneda del genial Van Gogh, donde representa la belleza de la naturaleza y en la que tú nos muestras la grave situación por la que atraviesa hoy día las ciudades y por ende el mundo entero, aparte de pandemia, gobiernos dictatoriales…
    Ha sido un placer leer tan bellos y tristes versos a la vez.
    Un fuerte abrazo amigo desde esta parte de España-Alicante, te deseo un buen fin de semana.

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  20. Meu amigo Pedro,
    este poema deixa uma amargura inevitável. Como inevitável e amargo é o tempo que nos atropela.

    A lucidez é, na verdade, apanágio do poeta.

    Abraço com desejos de mudança.

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  21. Bella y triste poesía que expresa un sentir, transmitirndo la misma desazón que siente el poeta.
    Abrazos

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  22. Amigo Pedro.
    Um poema doloroso, como doloroso é este tempo, de ausências.
    Ao mesmo tempo, é um poema belo, no seu lamento.

    Um beijinho solidário.

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  23. Vivemos tempos muito difíceis e inquietantes. O seu poema é um reflexo daquilo que todos sentimos.
    Uma boa semana com muita saúde, meu Amigo Pedro.
    Um beijo.

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  24. Um belo poema sobre estes terríveis tempos de ausência.
    Um abraço e continuação de uma boa semana.

    Andarilhar
    Dedais de Francisco e Idalisa
    Livros-Autografados

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  25. Palavras profundas e sentidas, que retratam uma dolorosa, sofrida e triste realidade.
    Pelo que li no meu blogue, temos raízes em comum, o Alentejo, de lá eram os meus avós e pais, eu já nasci em Lisboa.
    Fique bem e com saúde
    Beijinhos

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  26. o poeta e as dores do seu tempo
    alto nível de escrita! a lembra-me uma pintura impressionista ...

    grande abraço, Poeta

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  27. GRANDE poema/retrato amargurado do "tempo de ausências e dor" que todos vivemos.
    Pedro, meu amigo poeta, este eu junto ao rol dos teus belíssimos poemas. Adorei!
    Beijo.

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  28. Um poema sentido, expressivo e pertinente, manifestando a dor e luto de tanta morte causada pela atual pandemia... Perfeito na sua atualidade.
    Saúde e dias bons. Abraço, amigo Pedro.
    ~~~

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  29. A tela do pintor bem traduz a inquietação dos nossos dias, descrita no poema.
    Traços desordenados, fortes e vibrantes. Como as dores dos que perderam seus queridos.
    Poesia sentida, Pedro.
    deixo abraços

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  30. Poema triste e real; só com arte para podemos ir fundo neste momento tão desolador e árido. Abços

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  31. Não sei até que ponto é que a atual situação pandémica terá influenciado ou não o texto apresentado, mas o que é facto é que a última estrofe tem muito a ver com as imagens que nos têm chegado do Brasil.
    Abraço amigo.
    Votos de boa saúde e de bom fim de semana.
    Juvenal Nunes

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  32. Un bello poema que es el fiel reflejo de la realidad que se está viviendo en el mundo.
    La mayoría de las personas, bien directa o indirectamente, han perdido a un ser querido por causa de esta pandemia que aún atemoriza a la humanidad.
    Ojalá que la vacuna logre alejarla de nuestras vidas, no perdamos la esperanza.
    Cariños.
    kasioles

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  33. Me ha conmovido el contraste entre la imagen del cuadro que nos muestras y la profunda tristeza de tu poema, tan bello en medio de la amargura.
    Y he pensado que quizá, mirando por la ventana de tu tierra tan mágica, hayas vivido el encuentro de la pena, con la esperanza de que todo esta tragedia vaya poniéndose en su lugar.
    Por aquí hemos vivido casi un año demoledor, pero la gran esperanza de las vacunas parece que está empezando a dar sus frutos.

    Con mis deseos de que eso último se haga realidad también para vosotros.
    Un afectuoso saludo.

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  34. Um belíssimo, realista e descritivo poema... que só me fez visualizar... Jair e o seu staff... da ausência de empatia, à ausência de empenho em salvar-se vidas... sei que o mesmo, não teria tal direcionamento... mas foi como eu o consegui interpretar... principalmente depois do ajuntamento de motards que nossos noticiários mostraram por cá, por esses dias, com milhares em delírio percorrendo ruas, por aí, no Brasil, sem máscara nem distanciamento... nem sei eu bem, festejando o porquê (talvez segundo lugar mundial em mortandade)... Enfim... bem que a ciência médica avisa, que sequelas neurológicas do covid, não serão de descartar... porque tem alturas, que eu acho que o mundo está mergulhando na loucura... mas acho que... são os loucos anos 20... do século XXI... do mesmo jeito, que foram os loucos anos 20, do século XX, também depois de uma pandemia... o passado, sempre se repete, ciclicamente...
    Beijinhos!
    Ana

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Pedro Luso de Carvalho