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9 de jun de 2010

A MÚSICA POPULAR NO BRASIL - 2ª Parte




Como já mencionei no texto A MÚSICA POPULAR NO BRASIL – 1ª Parte, este tema foi desenvolvido por Nelson Werneck Sodré, no seu importante livro Síntese de História e cultura brasileira (Civilização Brasileira, 9ª ed., Rio de Janeiro, 1981), no qual faz uma análise importante sobre a música popular brasileira, no capítulo MÚSICA, dessa obra.

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Terminei a primeira parte do texto mencionado, com este trecho de Nelson Werneck Sodré: “Alguns momentos marcaram essa longa etapa, iniciada ainda nos fins do século XIX: o aparecimento, por exemplo, em 1897, da marcha carnavalesca, ainda semi-erudita, de Chiquinha Gonzaga: Ó abre alas". Vejamos, agora, o que diz o escritor na continuação dessa abordagem, sobre o desenvolvimento da música popular no Brasil:


“Vinte anos depois, em 1917, o compositor popular Ernesto dos Santos (Donga) gravava o primeiro samba: Pelo telefone. O samba, que veio substituir o maxixe, trazia marcas negras que se misturariam às nova influencias urbanas e modernas, que lhe foram alterando a feição, ao longo do tempo. O aparecimento do disco permitiu a crescente difusão da música popular e, ao mesmo passo, proporcionou-lhe o germe dos males que, adiante, iriam infetá-la profundamente. O desenvolvimento do mercado do disco foi lento, a princípio; o triunfo esmagador da música popular, aqui, ficou assinalado desde que a pequena burguesia a aceitou e adotou. E houve até aspectos interessantes que raros observaram; um deles, o cruzamento entre as letras das músicas e os versos dos poetas: enquanto estes procuravam, pouco a pouco, depois rápida e gravemente, tornar-se difíceis, aristocratizar-se, isolar-se, distanciar-se, letristas excelentes apresentavam, sem pretensões, poesia da melhor qualidade, ainda que formalmente defeituosa aqui e ali.

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Letras como a de Chão de estrelas, de Orestes Barbosa, ou como as dos sambas de Noel Rosa, são o que em poesia - afirma Nelson Werneck Sodré -, se fez de melhor, no tempo. Conforme observou um comentarista – dos raríssimos que atentaram na aparente singularidade do fenomeno – os letristas de samba como que salvaram a poesia brasileira: “É claro que os macetes de um samba e de um poema são diferentes, mas deve-se levar em conta que, depois da invenção do gramofone, é difícil para a poesia em versos, publicada em livro, concorrer em rendimento com o estouro da comunicação visual e com a produção musical (sem falar no aspecto do consumo). Quem tiver disposição para tal que de um olhada a fundo nas letras da música popular, dos 30 até hoje: lá estão muitos achados que botam no chinelo quase toda a versalhada de 1945 para cá”.


Na próxima postagem, aqui neste espaço, prosseguirei com esse mesmo tema, em sua terceira parte. (Para ler a primeira parte do texto, clique em A MÚSICA POPULAR NO BRASIL - 1ª Parte.)



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3 comentários:

  1. Pois é! A música "toca" e canta a História, e Nelson não iria deixá-la à deriva em seu mar de transparentes reflexões.

    Vou acompanhando...

    Bjs, Pedro, e inté!

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  2. oi pedro,
    sim para mim família é tudo mesmo ainda mais quando moram longe como meus filhos.
    vi a primeira parte e a segunda e fico pensando como ele consegue fazer tudo isto?
    aplausos...
    um abraço..

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  3. Pedramigo

    O que eu continuo a aprender contigo... Dás-me a possibilidade de ir sabendo coisas que nunca tinha sequer ouvido desse teu Brasil imenso.

    Eu só comecei a saber o que era a MPB com um Senhor chamado Ary Barroso. E penso que se há música universal uma delas é o
    «Brasil. Meu Brasil brasileiro. Meu mulato inzoneiro vou cantar-te versos...
    Ô Brasil, samba que dá. Bamboleio que faz gingá. Ô Brasil do meu amor, terra de Nosso Senhor...»

    Ainda não chegaste lá, mas vais chegar. E por isso, vou continuar a ler com muita atenção e também com muita alegria estes teus escritos. Muito obrigado, Amigão.

    Qjs para a Tais e abs para tu

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PEDRO LUSO