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13 de nov de 2010

GOETHE / Poeta e pensador

       

        Naquilo em que sempre Goethe se mostra como poeta, revela-se, também, o pensador. É verdade que, durante toda a vida, evitou de figurar no rol dos filósofos, chegando mesmo a orgulhar-se, em um dos seus aforismos, de que, se conseguiu chegar a tanto, foi somente devido ao fato de “nunca haver pensado sobre o pensamento”. Não há dúvida de que ele procura entender Kant, Hegel (pelo qual tem verdadeira predileção) e Schelling, esforçando-se, quanto podia, em fazer liga com eles. Mas não consegue. Como verificação última, sempre é compelido a reconhecer que eles seguem outro caminho que não é o seu. Não pode compreender de que modo o espírito alemão, naqueles pensadores, pretende levar-nos a uma concepção moral e idealista da vida.
       
        É que sempre, e cada vez mais, tanto a grandeza, como as limitações de sua poesia, e do seu pensamento, estão inteiramente ligas à natureza. E, por mais que se esforce, não pode, em última análise, acompanhar aqueles pensadores, porque neles o pensamento é um termo médio entre o homem e a natureza. Por esse motivo, também, parece-lhe que a “Crítica da Razão Pura”, de Kant, é “uma camisa de força” que nos impede de exercitar livremente a poesia e o pensamento em face da natureza; eis a razão pela qual os sistemas filosóficos especulativos representam para ele uma violência contra a natureza.


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        O texto acima é parte do discurso pronunciado por Albert Schweitzer no ato da entrega da “Medalha Goethe”, que lhe foi conferida pela Municipalidade Frankfurt am Main, Alemanha, em 28 de agosto de 1928 (in Goethe, quatro discursos. Trad. Pedro de Almeida Moura. São Paulo: Melhoramentos, 1960, p. 68-69).
       
        Albert Schweitzer formou-se em Medicina, Filosofia e Teologia na Universidade de Straburgo; em 1901 foi nomeado docente nessa mesma Universidade. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1953, como reconhecimento de sua atividade como médico na África Equatorial Francesa, onde, em 1913, construiu um hospital na localidade de Lambaréné, Gabão; aí, passou parte de sua vida dedicada ao tratamento de doenças tropicais, no afã de minorar o sofrimento do povo africano. Retornava a Europa apenas para angariar fundos para a manutenção de seu hospital, realizando concertos de órgão e conferências públicas.
       
        Obras principais do filósofo: Goethe, Quatro Discursos, Minha Infância e Mocidade, Histórias Africanas, Entre a Água e a Selva, Albert Schweitzer – Uma vida Exemplar, Minha Vida e Minhas Idéias, Decadência e Regeneração da Cultura, Cultura e Ética.
       
        Albert Schweitzer nasceu em 14 de janeiro de 1875, em Kaysersberg,  na Alsácia, que, na época, pertencia Império alemão, e faleceu em 4 de setembro de 1965, em Lambaréné, Gabão, África.



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PEDRO LUSO