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3 de fev de 2010

(Poesia) DRUMMOND - O Quarto Escuro



PEDRO LUSO DE CARVALHO

No ano de 1930, deu-se a estreia na poesia de Carlos Drummond de Andrade; Alguma poesia é o título de seu primeiro livro; daí em diante, o poeta não pararia de escrever poemas. Como acontece com todo o novo escritor, crítica literária e leitores dividiram-se em elogios e em contrariedade, quando saiu Alguma poesia. A História da Literatura iria fazer justiça ao mestre Drummond, como sendo um dos mais importantes poetas de nosso país. Alguns de seus livros mais importantes: Brejo das Almas, 1934; Sentimento do Mundo, 1940; A Rosa do Povo, 1945; Claro Enigma, 1951.
Carlos Drummond de Andrade nasceu na cidade de Itabira, Minas Gerais, a 31 de outubro de 1902, e faleceu no Rio de Janeiro, a 17 de agosto de 1987.
Segue o poema O quarto escuro, de Carlos Drummond de Andrade (In Menino Antigo/ Boitempo - II. Carlos Drummond de Andrade. 2ª ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1974, p. 104):


O QUARTO ESCURO
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE




Por que este nome, ao sol? Tudo escurece
de súbito na casa. Estou sem olhos.
Aqui decerto guardam-se guardados
sem forma, sem sentido. É quarto feito
pensadamente para me intrigar.
O que nele se põe assume outra matéria
e nunca mais regressa ao que era antes.
Eu mesmo, se transponho
o umbral enigmático,
fico outro ser, de mim desconhecido.
Sou coisa inanimada, bicho preso
em jaula de esquecer, que se afastou
de movimento e fome. Esta pesada
cobertura de sombra nega o tato,
o olfato, o ouvido. Exalo-me. Enoiteço.
O quarto escuro em mim habita, Sou
o quarto escuro. Sem lucarna.
Sem óculo. Os antigos
condenam-me a esta forma de castigo.





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