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19 de jun de 2016

[conto] PEDRO LUSO – A Vida do Padre



[ESPAÇO DO CONTO]


A VIDA DO PADRE
PEDRO LUSO DE CARVALHO


Amélia diz ao marido que lhe falta fé, e que enquanto estiver distante de Deus viverá em pecado. Mesmo com a sua insistência nessa pregação, Eusébio acaba por se acostumar a ela. Talvez a juventude do casal tenha contribuído para que não perdessem a paciência.
Mas chega o dia em que Eusébio rende-se aos apelos da mulher, e então passa a frequentar com ela a igreja do bairro. Todos os domingos o casal é visto na missa das dez e, tempos depois, também nas novenas, para a alegria do pároco.
Na igreja, Eusébio é visto como exemplo de fé; exemplo que, no pensar das beatas, deveria ser seguido pelos seus maridos. “É um santo homem”, dizem as mulheres, que não se conformam em ver distantes da Casa de Deus os homens com quem se casaram.
A capela montada num dos quartos  do apartamento, passa a ser o centro da vida do casal; é onde encontram paz e sentem a fé mais fortalecida, a cada dia que passa. No trabalho, Eusébio espera o final do expediente para ir ao encontro de Amélia, para fazerem as suas orações.
O sentimento de amizade, que iria mais longe, substitui o amor, que antes existia entre o casal. Divorciam-se para que Eusébio possa ingressar no Seminário. Amélia está convicta de que se tornar padre é a sagrada missão de Eusébio, cuja vocação fora escolhida por Deus.
No seminário, Eusébio estuda teologia com afinco, enquanto Amélia acompanha-o de longe, não o esquecendo em suas orações e ansiando pelo dia em que o veria ordenado padre. Esse dia chega, para a alegria de Eusébio e de Amélia.
Eusébio sente-se feliz em sua paróquia. Na capital, distante de Eusébio, Amélia acompanha a vida do padre, reza por ele, e sente-se um pouco responsável pelo respeito e pela admiração que o padre granjeou pelo seu trabalho de evangelização.
Passado algum tempo, chega à Amélia a notícia de que Eusébio fora afastado da Igreja, depois que se tornou público o seu romance com uma moça da cidadezinha, com quem passou a viver. Amélia soube ainda que a moça é respeitada por todos, e que carinhosamente a chamam  de “mulher do padre”.




*   *   *



35 comentários:


  1. Que mulherzinha tapada, essa Amélia... isso foi um tiro no pé! Mas me pareceu que ela não tinha lá grandes amores pelo Eusébio. Deixou o homem ir...
    Sempre, desde minha adolescência eu já tinha como pensamento de que os padres deveriam casar, por diversas razões. Uma delas tu mostras muito bem, o coitado ainda tinha paixão no peito... Padre Eusébio teria de ter sua família, uma vida normal e saudável. Por que não? E penso que a igreja católica ganharia muito com algumas inovações. Já estamos no século XXI. Quem sabe um dia o 'Vaticano' não revise isso... O papa Francisquinho é aberto! Belo conto, e dá pano pra manga.
    Beijinho daqui do lado!

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  2. Já era tempo de mudar, acho bem que levem uma vida como qualquer cidadão do mundo. Ainda não é o papa Francisco que vai mudar!
    Recordo o grande jogador Eusébio que toda a gente amava.
    Abraço

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  3. ~~~
    O conto está muito interessante, Pedro.
    Eusébio passou a ter fé, tornou-se amigo da esposa e depois de ordenado, não resistiu a uma paixão...
    Tal como a Taís, desde sempre fui de opinião que os padres católicos
    deviam casar, porém, seria horrível que atraiçoassem a esposa.
    Gostei.
    Beijos para ambos.
    ~~~~~~~~~~~~

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  4. Essa é Amélia, "a mulher de verdade". Por certo, Eusébio não "Ai que saudades de Amélia", de Ataulfo Alves e Mário Lago. Era uma tola. Mas a narrativa flui com leveza...
    Abraços, Pedro!

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  5. Es una historia interesante y curiosa, muy bien narrada, con naturalidad. Me ha gustado mucho.
    Un abrazo, Pedro

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  6. Olá Pedro bem escrito e esperei ansiosa pelo desfecho.
    Qualquer que seja a religião praticada quando vira obsessão deixa de ser fé é burrice, insegurança, e até ignorância. Acho que o Eusébio queria mais é se livrar da Amélia, e encontrou uma saída, ela dava mais importância a fama por ter levado o marido à batina e ganhou o título pejorativo de "mulher do padre" deveria ter ficado como mulher do Eusébio simples assim.
    beijinhos, Léah

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    1. Obrigado Léáh, pelo seu amável comentário.
      Como vi, Léah, que para você "a mulher do padre" é Amélia,resolvi acrescentar no último parágrafo do conto, antecedendo a frase "mulher do padre" a palavra "moça", para evitar dúvida.
      Portanto, quem é chamada de "mulher do padre" é a moça da cidadezinha, com quem o padre vive, não Amélia.
      Graças a você Léah, deixei o conto claro, no que diz respeito à "mulher do padre".
      Abraço.

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  7. Es un lujo leer tus historias, creo que Eusebio quiere deshacerse de Amelia, habrá que esperar el desenlace.
    Muy bien narrada la historia.
    Feliz comienzo de semana Pedro.
    Un gran abrazo.

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  8. Un relato interesante. Besitos.

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  9. Bonita historia Pedro, y tantas que habrá así en todos los tiempo, lo mejor sería que se aceptara que los sacerdotes tuvieran sus parejas como todo seglar.
    Muy bien llevado este relato.
    Un abrazo y buena semana.

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  10. Um conto muito interessantíssimo. O perfil psicológico de cada personagem não deixava dúvidas quanto ao desfecho desta história. Isto, porque há pessoas assim: querem que os outros sejam como elas desejam... Mas cada um é o que é...
    Um beijo.

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  11. Storia interessante, penso che i preti cattolici dovrebbero poter avere una moglie, e quindi anche una famiglia. Avere Dio nel cuore, non comporta non desiderare un altro essere di cui ci si sente attratti. Complimenti per il racconto, fa riflettere. Un caro saluto ed un abbraccio Pedro. Grazia

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  12. confesso que me surpreendi com o final dr Pedro, por termos esta história no nosso imaginário quando se toca no assunto já achamos que sabemos o resultado, o que foi ótimo, tornou o conto muito mais saboroso, interessante e curioso para mim. Tem a questão da fé, esta eu acredito, e tudo ´´e possível com fé, embora Amélia e Eusébio aprofundaram na brincadeira rs, enfim. A minha surpresa para o final iniciou na conversão dele para padre e a devoção dela rezando pela graça atendida, meio pirado, meio surreal, daí veio a fatal, o que não deixou eu sair divagando sobre um possível final surreal. Não foi surreal, mas deveras surpreendente. Mais um para coleção dos melhores que leio por aqui.
    ps. Carinhonho respeito e abraço.

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  13. Quien no se conforma es porque no quiere. Y además, cada pareja es un mundo.

    Saludos, Pedro.

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  14. Oi, Pedro...a vida tece histórias como essa, mas não é impossível que aconteça, afinal a vida é uma busca eterna pela felicidade.
    Um abraço

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  15. "ajoelha e serás crente...", dizia Pascal em seu fervor religioso
    e não se enganava...
    abraço amigo

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  16. Boa narrativa, Pedro, com final inusitado. Fui lendo curiosa pra saber como iria terminar a história.

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  17. Boa noite Pedro
    A minha grande admiração pelos seus contos são esses finais inusitados
    Vou absorvendo com deleite cada palavra e no final... surpresa!!!
    A sua habilidade em mudar radicalmente a vertente do texto é magnífica
    É uma gosto te ler! A mulher do padre... Eusébio virou lobisomem??
    Um abraço amigo

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  18. Um conto excelente, uma narrativa crescente e com
    um desfecho surpreendente.

    E concordo com a querida Taís, "mulherzinha tapada, essa Amélia..." rss

    Abraço, pedro.

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  19. Conto interssante e não me admira muito a atitude da Amélia, pois há pessoas tão fanaticas, que nem entendem o qu é ter fé; mesmo assim, penso que a Amélia não se arrependeu do que fez, porque na cabecinha dela, mal formada, acima de tudo estava a tal fé. Sempre fui de opinião que os padres deveriam casar, pois a vida deles é muito triste e, quando, pela idade deixarem a paróquia, o que lhes sobra? E se o casamento é abençoado por Deus, então por que é negado aos padres? Parabéns Pedro por mais um belo conto. Um beijinho
    Emilia

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  20. A pesar de todo creo que Amelia ha debido de sentir algunos celillos.
    Seguro que el curita eligió a una mujer más joven. Eso lo hacen muchos.
    Un abrazo bien fuerte.

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  21. kkk, você sempre nos surpreende com o final.
    Muito bom este conto com as artes necessárias da curiosidade e angustia para ver o fim de uma historia intrigante de amor e fé.
    Aplausos mestre Pedro.
    Engraçado que estes casos eram bem repetitivos nos cantos de nosso Bfasil.
    Um abração amigo.

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  22. Boa noite Pedro.
    Sempre nós surpreendendo no final, os seus contos nos prende do começo ao fim rsrs. Coitada da Amelia, entregou o seu marido para seguir a Deus e ele espaçou e foi pecar com a moça da cidadezinha rsrs. Agora falando serio os padres deveriam ter o direito de formar família. Com certeza muitas coisas desse tipo não aconteceria. Um feliz São João para você e para a querida Tais. Enorme abraço.

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  23. OI PEDRO!
    PARECE UMA DAQUELAS IRONIAS DA VIDA NÉ PEDRO?
    OU QUEM SABE, AMÉLIA O INDUZIU A UMA FÉ QUE NÃO ERA DELE.
    TEU CONTO FICOU MUITO BOM, FUI LENDO AFOITAMENTE PARA VER COMO TERMINAVA E TE DIGO QUE GOSTEI, ATÉ PORQUE TENS O DOM DE ESCREVER TEUS TEXTOS COM PRINCÍPIO,
    MEIO E FIM DE FORMA RÁPIDA E COMPLETA O QUE OS DEIXA MUITO AGRADÁVEIS DE SEREM LIDOS.
    MAIS UMA VEZ, PARABÉNS PELA CRIAÇÃO.
    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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  24. A vida é uma coisa incrível ela dá com cada volta que não lembra ao "diabo".
    Um belo texto amigo Pedro de que gostei bastante de ler.
    Um abraço e continuação de uma boa semana.
    Andarilhar

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  25. Essa tal de Amélia é mais burra que uma porta,credo! Entregou o outo aos bandidos,rs... Eusébio que de santo nada tinha, aproveitou...

    Por incrível que pareça, por alguns anos, fui catequista e adorava o que fazia... Lembro muito bem que naquela paróquia havia uma cozinheira que era chamada de maria do padre,rs... As coisas acontecem muito !

    Mas voltando ao conto,adorei.Como sempre,aliás!

    Há carolas que não sabem viver e separar as coisas.E AQmélia pra mim, estava de saco cheio de Eusébioo e o mandava pra igreja e nas orações, pedia que eel se mandasse logo,rs...Pronto! Deturpei teu lindo conto!!

    abraços, tudo de bom,chica

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  26. Essa é a verdadeira história da mulher do padre, parabéns pelo conto, gostei do seu espaço por aqui...parabéns

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  27. Quando não há amor, haja fé...
    Mas os padres católicos deveriam poder casar.
    Um magnífico conto, como sempre.
    Pedro, tem um bom fim de semana.
    Abraço.

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  28. Se Amélia, além de se preocupar com a vida religiosa, se preocupasse um pouco mais com o relacionamento,quem sabe não perdesse o marido pra batina?
    Quanto ao Eusébio, se os padres pudessem se casar, poderia ter continuado com as duas vocações.
    Não consigo entender essa de padre não poder se casar já que Deus abençoou a união entre um casal. Mas quem sabe um dia as coisas mudem?
    Adorei o belo conto.

    Um abraço!

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  29. Menuda sorpresa la del final...
    Amelia, yo creo que conocía muy bien a su marido y puso tierra de por medio...jajaja.

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  30. No fue Dios quien penalizo al sacerdocio con la soledad del hombre, fueron los que se empeñaron en ser ministro de Cristo los que se equivocaron con esa orden, que dejo a los hombres viviendo en soledad y pecando a escondidas.
    Jamas estuve de acuerdo con creer que los sacerdotes tuviesen que renunciar a un sacramento tan sagrado, y ser juez de quien no ha querido seguirlo. Un saludo.

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  31. Ohhh pero si se supone que los sacerdotes se casan con Dios, dejando de lado el tener su propia familia por tener una grande que es el mundo entero.
    Este tema es bien de debate y polémica, yo estoy a favor de los que quieran ser sacerdotes de los buenos, los que hacen el bien, no son pedófilos y se postergan para un bien superior y lo hacen desde el corazón.
    Cariños para ti.
    mar

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  32. ♫♪ه° ·.
    Final cômico!!!

    Bom domingo! Boa semana!
    Beijinhos.
    💕ه° ·.

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  33. Mais um texto espectacular, em que o final, dá uma volta inesperada...
    Sempre nos surpreendendo pela inspiração e criatividade, Pedro!
    Parabéns! Abraço!
    Ana

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  34. http://anna-historias.blogspot.com.es/.
    Te mando mi blog si quieres darle un vistazo gracias

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PEDRO LUSO