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20 de out de 2017

(Poesia) PEDRO LUSO – Abertura de Carnaval







ABERTURA DE CARNAVAL
PEDRO LUSO DE CARVALHO




Ouço o pandeiro e o tamborim,
dando ao samba majestade.
É o samba com seu esplendor,
escondendo a dor do sambista.

Chega no ritmo o nobre casal,
porta-bandeira e mestre-sala.
Brilha a moça com a bandeira,
a dança  do mestre  ilumina.

Vem atrás (da porta-bandeira
e do parceiro mestre-sala),
uma imensa escola de samba.
Grande demais para um poema.





*   *  *





14 de out de 2017

(Poesia) PEDRO LUSO – Despedida




DESPEDIDA
PEDRO LUSO DE CARVALHO



Quando parti, dormia a cidade
sob um manto espesso de névoa.
Naquela noite, venci dúvidas,
venci o medo terrificante.

Não a deixei, na noite acordando,
foi comigo, junto ao peito.
Levei junto aquela cidade
para aguçar minhas lembranças.

Na distância, tempo teria
para remoer os remorsos.
Lembro-me, hoje, daquelas ruas,
de seus intrincados segredos.

Estão na mente ruas tantas,
de amigos feitos e sumidos.
Como poderia eu esquecer
as ruas de minha cidade?

Foram as guias dos meus passos,
velhas ruas por onde andei.
Das ruas, não contei os segredos.
Quem teria interesse ouvi-los?



*   *   *



7 de out de 2017

(Poesia) PEDRO LUSO – O Assalto




   O ASSALTO
PEDRO LUSO DE CARVALHO



Vi no cano da arma, túnel
fundo, sem luz,
a vida em risco,
o temor na hora do assalto.

Medo também tolda os olhos
de quem assalta
risco aumentado –
a sorte na mão crispada.

Em estranha tela, a vida
é repassada,
qual alma gêmea,
o bem e o mal praticados.

Súbito, o som do disparo,
certeiro tiro
mata o assaltante,
dever que cumpre o soldado.

Vi, naquela tarde quente,
sol refletir
na áurea cápsula,
abandonada no asfalto.




*   *   *




30 de set de 2017

(Poesia) PEDRO LUSO – Planeta melhor pode existir




PLANETA MELHOR PODE EXISTIR
PEDRO LUSO DE CARVALHO


Presença, ausência, claro,
escuro, o que importa
se porta não há,
se imundo é o mundo?
Mudará?

Nada sei do meu interior,
vazio interior
já fora de mim.
Enlouqueci?

Nada sobrará aos homens,
que não lutam,
não ouvem,
sequer sonham.
Sobreviverão?

Sobreviverá o mundo,
se tem nas mãos,
o desvariado ditador,
uma bomba
de hidrogênio?
Explodirá?

Conselho jamais dou,
mas abro exceção:
fujam todos da Terra,
não se enterrem aqui,
Planeta melhor pode existir.
Saturno?



*   *   *




23 de set de 2017

(Poesia) PEDRO LUSO – O encantamento das águas



Escrevi este poema como forma de denúncia pelo elevado número de suicídio no Brasil, onde uma pessoa se suicida a cada quarenta e cinco (45) minutos, segundo a Comissão de Assuntos Sociais (CAS).
O poema é também para o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, 10 de outubro, e para Centro de Valorização à Vida (CVV), criado há 55 anos.



O ENCANTAMENTO DAS ÁGUAS
PEDRO LUSO DE CARVALHO



Da ponte avista-se espesso manto
das claras, fundas águas do rio,
comprimidas por margens hostis.

Águas do rio vão para o mar,
cumprindo seu traçado destino.
O mar acolhe águas andejas.

Fico imantado às claras águas,
ouço doce som, quase murmúreo.
Serão estas águas o Paraíso?

É-me impossível deixar o rio,
maravilhado estou com as águas,
pelo seu fascínio subjugado.

Preso ao encantamento das águas,
atado ao seu manto de luz
resta-me atender ao chamado.

Num impulso, salto para as águas,
neste voo com asas de pássaro.
Encontrarei meu ninho de paz.





 *   *   *




15 de set de 2017

(Poesia) PEDRO LUSO – A Mulher e o Algoz



Escrevi este poema como forma de denúncia pelo assassinato de treze (13) mulheres brasileiras por dia, em média, segundo estatística oficial, vítimas de seus maridos, companheiros ou namorados, a maioria mulheres negras ou de condição pobre.



A MULHER E O ALGOZ
PEDRO LUSO DE CARVALHO



Quarto às escuras, a mulher olha
através da vidraça.
A luz da rua entra e clareia livros
em cima do velho baú.

Na calçada, o relógio iluminado,
envolto em ramos de árvores,
com os longos ponteiros duplicados
pelos efeitos das sombras.

De um amor que se fez ódio, ameaça.
É longa demais a espera
na escuridão do quarto, amedrontada –
sabe ela de sua sina.

Na rua, som e silêncio alternados,
carros no asfalto molhado.
Só no quarto, mulher sem esperança
e sua espera pelo homem.

A mulher ouve passos, que cessam
já proximos à porta.
Com o impacto da força cede a porta,
ruído gerado fere o silêncio.

De repente, aí no escuro do quarto
na fria, gélida noite,
zune no ar a lâmina na mão do homem –
cai uma rosa da roseira.





*   *   *



8 de set de 2017

(poesia) PEDRO LUSO - A morte do poeta





A MORTE DO POETA
PEDRO LUSO DE CARVALHO




O poeta faz pacto com os deuses
para a eles entregar-se
quando fenecerem suas musas.

Pede o poeta nesga de tempo
para terminar seu canto,
um raio de luz sobre a mesa.

Não falte inspiração ao poeta,
e que alguém lembre
o canto, a missão, a sua sina.

No mundo em que renascer
será nuvem na pradaria
ou estrela clareando noites.






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