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3 de dez de 2018

[Poesia] PEDRO LUSO - A Maçã do Pecado




A MAÇÃ DO PECADO
- PEDRO LUSO DE CARVALHO



É mansa a fala dos dois homens,
a falarem dos bons tempos
na tarde que beira a noite,
com sons ocos dispersos nas ruas.

Fenece a mansidão da conversa,
as ideias não se convergem,
a política, maçã do pecado,
impõe-se com desmedida fúria.

Ninguém mais na sala de visitas,
condôminos de tudo alheios,
braços giram desnorteados,
cessa a fala, amigos enfurecidos. 

Sons ocos chegam mais brandos,
um dos homens agora ferido,
o outro segura na mão a faca,
na noite alta, cúmplice no crime.




*   *   *



33 comentários:

  1. Boa noite. Excelente poema. Adorei :))

    Hoje : Dança...leviandade minha...
    Bjos
    Votos de uma óptima Segunda - Feira

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  2. Querido amigo poeta, Pedro, nossa como seus versos dizem muito da atualidade, "assim caminha a humanidade" pelo menos por aqui, na terra brasileira, "a maçã do pecado" é mesmo a política que desmedidamente muitos se digladiam em nome dela, acho até que os crimes ainda vão aumentar!!!
    Que pensa né?
    Mas aqui deixo o meu abraço apertado repleto de boas energias, longe dessa"maçã"!

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  3. A maçã moderna do pecado. Sobretudo, se pensarmos na cena política brasileira. Só espero que um dia todos nós possamos gozar os mesmo direitos.
    O quadro de Jenkins é uma beleza. Ilustra bem o poema muito bem construído.
    Um forte abraço,

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  4. La política enfurece ciegamente y nos hace llegar a extremos como los que pintas a la perfección, que en este caso arruinan la vida de la víctima y del victimario por igual, amigo Pedro.

    Abrazo austral.

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  5. Yo me pregunto muchas veces ¿Por qué razón una conversación normal tiene que acabar en disputa?
    En la discusión se pierde la cordura y si se tiene un arma al lado...
    Me encanta el cuadro que has escogido para enmarcar esta entrada, no conocía al autor, espero que ya no se me olvide su nombre.
    Cariños.
    kasioles

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  6. E tudo pode acontecer na maravilhosa noite. O ser humano é capaz de estrangular a magia. Valha-nos o poeta!

    Beijos, Pedro.

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  7. A política é mãe de grandes crimes amigo Pedro. Nos anos 80 conheci dois irmãos que quase se mataram um ao outro por causa dela.
    Abraço

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  8. Fantástica imagen y un excelente poema.
    Muy bueno.
    Un beso.

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  9. Lembrei-me do Legislativo em Brasília, resta-nos saber quem será o ferido e quem estará com a faca na mão. O teu belo poema retrata a atual realidade brasileira.

    Abraços e uma ótima semana para ti e para os teus.

    Furtado

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  10. Magnífico poema para unos tiempos convulsos en el mundo de la política.
    Me ha encantado.
    Gracias, Pedro.

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  11. Oi Pedro,
    É na política que conhecemos o homens, muitos se gladiando. Vimos isso na política nojenta como a do Brasil.
    O homem esquece o que de bom tem em casa para dormir no xadrez por causa de política.
    Poucos tem discernimento para separar as situações e é a família que mais
    sofre com os desmandos dessa política podre.
    Beijos no coração
    Lua Singular

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  12. Grande Pedro bem me parece aquelas assembleias de condomínios, onde se se discute sobre as fezes dos animais e o calculo da taxa anual fica em segundo plano, no que ocorrer.
    Belo olhar sobre o comportamento humano(sic) sua arte de poesia.
    Meu abraço amigo e linda tela da noite sobre a cidade que adormece aos gritos dos enfurecidos.

    Meu abraço amigo.

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  13. Gostei muito do poema.
    A reflectir a realidade do presente
    Muito bom
    Boa semana Pedro.
    Aproveito para acrescentar que já há um novo capítulo de "Um Oceano entre nós" no blogue. Espero que goste. Está quase no fim!
    Beijinho

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  14. Pedro:
    creo que si los hombres hubiesen hablado más, quizás no se habrían peleado.
    Abraços.

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  15. A volte per motivi futili, durante una conversazione, possono accadere eventi molto gravi
    Sempre bello leggerti, Pedro,un caro saluto,silvia

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  16. "a política, maçã do pecado" é uma interessante comparação. Um encontro de amigos termina de forma trágica. Abraços literários.

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  17. Cuando no hay razonamiento, se imponen las sinrazones de la violencia. Se echa de menos la presencia de la filosofía que enseña a escuchar y respetar las opiniones ajenas. Me encantó el poema. Un abrazo.

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  18. é estranho Pedro, como a politica que deveria ser da esfera da filosofia, da troca de ideias, da tolerância, se torna um saco escuro para onde os homens despejam os seus ódios, frustração, violência, rancores, num amálgamo que pode tornar-se muito perigoso :(
    abraço e boa semana
    Angela
    https://poesiesenportugais.blogspot.com/

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  19. Olá de novo

    Convido-o a ler o novo Capítulo de Um Oceano entre nós - IV. Espero que goste.

    Beijinho

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  20. Esto es lo que consigue la política, enfrentar unos con otros por las ideas de cada cual.
    El pueblo se pelean, y los políticos celebran unidos cualquier evento.
    Un estupendo poema que dice mucho.
    Un abrazo.

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  21. Boa tarde Pedro!
    Um poema interessantíssimo, uma boa comparação, meu amigo!
    Mas o que é certo é que a maçã até já pode estar podre, de tanto ser mordida...
    que não incomoda ninguém! Todos querem dar a sua dentadinha(...) é os políticos que temos!
    Beijo fraterno de amizade. Amigo Poeta!

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  22. No todo convergen en este mundo político.
    Un abrazo.

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  23. A política e a religião... desde os primórdios dos tempos... dividindo e envenenando as relações humanas... e assim continuará... pois parece que se tornaram no combustível que faz girar o mundo... enquanto o vai minando lentamente...
    Uma belíssima inspiração, a propósito do tema! E uma notável pintura... da civilizada Londres, de outros tempos... actualmente... eleita a cidade mais violenta do mundo... onde se morre de uma navalhada de quem passa, em qualquer esquina, em qualquer momento... e por um qualquer motivo...
    Um grande abraço!
    Ana

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  24. Um poema que reflecte o presente. A maçã do pecado legitima tudo?
    Um beijo, meu Amigo Pedro.

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  25. Ah, essa política, que separa, que corrói sentimentos, que transforma tudo, menos o brotar de sentimentos bons e generosos nas discussões acaloradas entre parentes e amigos. Mas temos escolha: continuar a 'chover no molhado' ou viver com maior harmonia com parentes e amigos? Teu poema retrata perfeitamente o que são discussões ideológica, que mais separam do que aglutinam, quando pessoas carregam ideias diferentes. E já está pra lá de visto que o 'clima' fica tenso com pessoas bem próximas. Nada mais cauteloso do que evitarmos tal distanciamento.

    Excelente poema, um retrato perfeito das sociedades, não importa onde estejam.
    Beijinho, daqui do lado.

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  26. nascemos do "cruzamento entre Deus e o Diabo" de que fala José Régio, (Cântico Negro), não é verdade, Pedro?

    belo e profundo Poema. e grande sabedoria a do Poeta,

    caloroso abraço, meu amigo

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  27. Pedro,
    Seu belo poema fala alem
    do ferimento físico,
    essa maça citada causa ferimentos na alma
    e abala amizades e relacionamentos.
    Lindo poema de verdade.
    Ele me lembra a situação do Brasil hoje
    e não me pergunte por que.
    Bjins
    CatiahoAlc.
    Deixo o convite para conhecer meu blog de frases
    https://frasesemreflexos.blogspot.com/

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  28. I tuoi versi potrebbero essere usati anche per la situazione italiana.
    Buon weekend, un abbraccio
    enrico

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  29. Es triste pero cierto, la mesa más armoniosa puede volverse trágica por la política.
    Hoy que yo misma tengo una familia bastante amplia, sigo la tradición de mi madre, que en las Fiestas cuando nos reuníamos toda la familia, antes de empezar a comer y cuando todos estábamos felices, soltaba esta frase: "En esta mesa no se habla de religión ni de política". Un afectuosos saludo, Pedro.

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  30. Bom dia, Pedro,
    excelente metáfora "Maçã do Pecado", penso ser bem a cara da política.
    Há tanta agressão, tanta dor e o seu poema nos mostra em cada verso.
    Revela-nos o verdadeiro poeta que pode tudo com o poder das palavras bem colocadas.
    Bom domingo, abraço!

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  31. Oi, Pedro...ideias podem ser discordantes mas o crime é não haver respeito. Este sim deve ser soberano.
    Um abraço

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PEDRO LUSO