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3 de abr de 2010

SONETILHO DO FALSO FERNANDO PESSOA – Carlos Drummond de Andrade


PEDRO LUSO DE CARVALHO

Carlos Drummond de Andrade foi poeta, jornalista e funcionário público. Não foi indiferente ao movimento para modernizar as artes, pelo contrário, participou do movimento literário modernista. Com seus companheiros de geração, editou A Revista, nos anos de 1925-1926.
Drummond jornalista, desempenhou importantes cargos nos jornais Diário de Minas, Minas Gerais, entre outros. Escreveu crônicas, nos anos de 1954 a 1968, para o Jornal carioca, Correio da Manhã, com o título geral de “Imagens”. Depois passou para o Jormal do Brasil, onde manteve uma coluna no Caderno B.
O poeta nasceu em Itabira, Minas Gerais, a 31 de outubro de 1902 e faleceu no Rio de Janeiro a 17 de agosto de 1987.
Segue, de Carlos Drummond de Andrade, o poema Sonetilho do falso Fernando Pessoa – In, Claro Enigma/Carlos Drummond de Andrade. 2ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1991, p 24:


             SONETILHO DO FALSO FERNANDO PESSOA
 – CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE



Onde nasci, morri.
Onde morri, existo.
E das peles que visto
muitas há que não vi.


Sem mim como sem ti
posso durar. Desisto
de tudo quanto é misto
e que odiei ou senti.


Nem Fausto nem Mefisto,
à deusa que se ri
deste nosso oaristo,


eis-me a dizer: assisto
além, nenhum, aqui,
mas não sou eu, nem isto.




 *   *   *




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