>

13 de set de 2015

[Poesia] PEDRO LUSO – Revolta



  


REVOLTA
– PEDRO LUSO DE CARVALHO


Ando na calçada da rua
escura, ouço o som oco
dos meus passos
no solitário vagabundear.

Vejo tantas marquises
sobre velhas lojas,
tantas portas gradeadas
e corpos cobertos de trapos.

Assalta-me pena e culpa,
muita culpa – grito
contido da revolta,
da denúncia que não faço.

Os urubus devoraram
os meus projetos,
devoraram os sonhos
todos que tinha, de igualdade.

Foi cômodo desistir da luta,
e agora os párias dormem
sob as marquises
nesta noite de frio cortante.

São os párias derrotados
sem o fragor da batalha,
vivendo em ruas e becos,
são urubus que se regalam
com nossas pútridas consciências.



*    *    *


26 comentários:

  1. Boa noite amigo Pedro
    Encolhemo-nos no nosso medo inconsciente e permitimos que nossos irmãos sofram com as mazelas do cotidiano impostas por uma sociedade que não zela pela dignidade humana
    Parabéns pelo poema visceral
    Uma semana de paz e sorrisos
    Abraços

    ResponderExcluir
  2. Bem mostrados em versos a "revolta"!
    Abraços e tenhas uma boa noite de domingo!

    ResponderExcluir
  3. Boa noite meu grande amigo Pedro Luso.
    Ao abuso das nossas faculdades físicas sucede a dor; às perversões do espírito seguem o pesar quando nos deparamos a nos rodear uma nuvem de atos calamitosos cometido no cotidiano, onde seres deveriam serem zelados são desprezados.
    É nesta hora que nosso pesar passa refletir...
    No dicionário define pesar como sofrimento ou tormento mental aflitivo, por uma perda, mágoa lancinante, tristeza profunda. Como cirurgiões, como cientistas, vão nos ensinar a aprender com os livros e como confiar em suas definições,suas conclusões, mas na vida definições precisas raramente se aplicam, na vida o pesar pode parecer com um monte de coisas que guardam apenas uma pequena semelhança com tristeza profunda.
    O pesar pode ser uma coisa comum em todos nós mas age diferente em cada um. Não é só a morte que trás o pesar, é a vida, a perda dela, as mudanças. E quando a gente pensa porque que tem que ser tudo tão sofrido, por que que machuca tanto o que a gente não pode esquecer, é que tudo vira de uma hora para outra. É assim que sobrevive quando machuca tanto a ponto de você não conseguir respirar, é quando você sobrevive!
    Lindo e belo poema a retratar uma realidade que nos cerca...
    Abraço amigo, ja sou fã inato das tuas escritas.... Te espero no meu espaço meu grande amigo.... Bom descanso.

    ResponderExcluir
  4. Mais um belo poema da triste realidade que se vive também por aqui.
    Tenho pena de não ter tempo para ler tudo, mas tudo tudo o que você e Taís escrevem, cada um com seu estilo próprio, mas ambos excelentes!
    Estou nos Açores, em S. Miguel, linda ilha onde nasci e vivi até aos 19 anos. Agora só venho de vez em quando, mas é sempre bom visitar o meu irmão e rever amigas/os de tantos anos!
    Um abraço, amigo Pedro.

    ResponderExcluir
  5. Oi Pedro
    Numa Revolta deve-se arredar o pé e enfrentar, sendo uma batalha ou a batalha interior.
    Adorei poeta
    Beijos
    Dorli Ramos

    ResponderExcluir
  6. Una serie di bei versi dai toni accentuati, letti con immenso piacere
    Buon inizio di settimana e un saluto, Pedro, silvia

    ResponderExcluir
  7. Bom dia Pedro! Um tema oportuno, uma realidade bem presente na vida dos mais necessitados.
    Gostei do seu grito.
    Desculpe a demora em retribuir sua visita amigo.
    Desejo uma semana com muita paz e inspiração.

    Bjs no coração.

    ResponderExcluir
  8. Boa intervenção poética, um grito que temos de pensar valer a pena, por quanto o que pode trazer, pelo menos, um assomo de igualdade, será o engrossar das fileiras, dos menos desfavorecidos e de boa vontade.
    Abraços

    ResponderExcluir
  9. La tua poesia sugli emarginati ha i toni forti dell'indignazione. Condivido il tuo bellissimo pensiero.

    ResponderExcluir
  10. E não faltam urubus à nossa volta.
    Excelente poema, meu caro amigo. Parabéns pelo talento poético aqui revelado.
    Pedro, tenha um boa semana.
    Um abraço.

    ResponderExcluir
  11. Infelizmente uma realidade que não deveria existir. Entristece o nosso coração.
    Um abraço,

    ResponderExcluir
  12. Un poema bueno y a la vez trágico aunque la realidad se ve en él.
    Un abrazo.

    ResponderExcluir
  13. Triste, belo e real poema dr Pedro, percebo seu idealismo meio perdido diante das manobras do tempo, dos caminhos que tivemos de seguir, a necessidade de amparar o próximo...é tão claro neste poema, a vontade de abraçar o mundo e faze-lo dormir, como um neném, enrolado em cobertores e apertado fortemente por nossos braços. Admirável sua maestria em lidar com o texto perfeito e o tema, tão nosso, tão real e por vezes tão distante. A poesia vai salvar o mundo dr Pedro.
    ps. Carinho respeito e abraço.

    ResponderExcluir
  14. Ha sido un placer visitar tu rincón y tu bello poema.
    Saludos.

    ResponderExcluir
  15. Hola Pedro, emotivo poema y bello poema.
    Me encanta leer tus poesías.
    Mil gracias por tu grata huella en mi blog.

    MA.
    El blog de MA.
    Un abrazo.

    ResponderExcluir
  16. Boa noite Pedro
    Lindo poema , com uma triste realidade. Uma abençoada semana. Beijos.

    ResponderExcluir
  17. Cuanta belleza regalas.
    Besos

    ResponderExcluir
  18. HOY TUS LETRAS BROTAN MELANCOLÍA.
    ABRAZOS

    ResponderExcluir
  19. Belíssimo poema, Pedro! Profundo, duro e cortante, sobre a dimensão humano do concreto, e a profundidade ou apagamento da nossa consciência.
    Tantas vezes apetece perguntar onde terá ficado a humanidade, porque da revolta à acção parece existir um abismo difícil de ultrapassar.
    xx

    ResponderExcluir
  20. Es injusta loa vida, pero es así, hay que vivirla.

    Un abrazo.

    ResponderExcluir
  21. Um olhar pelas calçadas e toda nossa consciência se abala e desaba Pedro.
    Grito perfeito em tempo de tantos desmandos e falsos programas de solução desta tremenda desigualdade que assola, que nos leva a uma profunda e cortante reflexão.
    Meu terno abraço amigo.

    ResponderExcluir
  22. A realidade é a mesma por aqui....
    Mais um bonito poema.
    Abraço

    ResponderExcluir
  23. Amigo Pedro, en línea con tu poema notarial de una realidad, viene la reflexión sobre las revoluciones.
    Se hicieron porque había que hacerlas. Pero aunque los habitantes de los palacios fueron intercambiándose, los parias apaleados de hoy siguen siendo los mismos que pintó Goya.

    ResponderExcluir
  24. Pelas ruas, mãos humilhadas se estendem; nos tocam e suplicam. Já conhecem o que é desprezo, o que é fome, o que é sede, o que é martírio. Conhecem um lado da vida que nós não conhecemos. Só não dá para entender o porquê e como que nosso país 'faz bonito' emprestando dinheiro a outros com o sacrifício de nossa população indigente, que come capim e faz sopa de papelão e jornal.
    Vá entender...
    Beijinho, Pedro!

    ResponderExcluir
  25. Una ribellione in versi molto belli, che condivido! Eppure basterebbe più umanità per risolvere la fame e le guerre...Un caro saluto e un raggio di sole per te! Buona settimana Pedro!

    ResponderExcluir
  26. Oi amigo, impactante esse seu poema!
    Desculpe a ausência.
    Vim lhe desejar uma ótima semana, abraços e fique com Deus!!

    ResponderExcluir

LOGO O SEU COMENTÁRIO SERÁ PUBLICADO.

OBRIGADO PELA VISITA.

PEDRO LUSO